Duas poesias do livro Entre o Rosa e o Azul, da poeta mineira Yeda Prates Bernis.

𝑶𝑭𝑬𝑹𝑬𝑵𝑫𝑨

Se eu pudesse fazer um poema
meigo como a brisa das manhãs,
doce como pássaro submisso,
lírico como a flor que desabrocha,

se eu pudesse fazer um poema
onde as palavras perdessem seu sentido
e se transformassem em etéreas formas
em música suave
ou em volátil perfume
que inebriasse,
levar-te-ia, amor,
em oferenda,
este mágico poema
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𝑭𝑶𝑮𝑼𝑬𝑰𝑹𝑨

Espio à beira
do que chamam de minha alma.
Fingindo calma,
vejo no poço uma fogueira
queimando o já tão pouco
do muito edificado.
Não como um louco
mas como quem não presta
atenção, despejo gasolina.
Tudo o que resta
é um choro de menina.

Yeda Prates Bernis – escritora mineira, nascida em Belo Horizonte, diplomada em Letras Neolatinas pela PUC-MG, cursou também Canto e Piano no Conservatório Mineiro de Música. Membro da Academia Mineira de Letras. Tem poemas musicados por Camargo Guarnieri e traduções para o Italiano, Inglês, Espanhol, Francês e Húngaro.
Estreou na literatura em 1967 com o livro Entre o Rosa e o Azul. Já foi elogiada por poetas do porte de Drummond e Henriqueta Lisboa
Prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras e inúmeras distinções por sua produção artística e cultural e eleita, por unanimidade, Sócia-Correspondente da Academia Lusíada de Ciências, Letras e Artes.

Imagem da autora: foto de Jair Amaral


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