Tudo se move a partir dela. Senhora das emoções, encontra-se em cada detalhe, em cada sorriso, em cada lágrima, em cada fala, em cada objeto. Às vezes quase imperceptível, ela sutilmente movimenta o mundo e o transforma, promovendo a integração e a harmonia entre os povos. A poesia pode ser classificada como o “Quinto Elemento” necessário à vida. Assim como a água, a terra, o fogo e o ar, a poesia sacia a sede do espírito, germina e floresce, aquece e oxigena o sangue, abrindo novos horizontes. Transitória ou permanente de acordo com o olhar de cada leitor, por si só ela torna-se perene, fica. Na poesia podemos encontrar o caminho para a Paz.

Remisson Aniceto


AMAR A MORTE (Affonso Romano de Sant1Anna)

Amar de peito aberto a morte.

Não de esguelha, de frente.

Amar a morte,

digamos,

despudoradamente.

Amá-la como se ama

uma bela mulher

e inteligente.

Amá-la

diariamente

sabendo que por mais

que a amemos

ela se deitará

com uns e outros

indiferente.

————–

Amor e Medo

Estou te amando e não percebo,

porque, certo, tenho medo.

Estou te amando, sim, concedo,

mas te amando tanto

que nem a mim mesmo

revelo este segredo.

—————-

Reflexivo

O que não escrevi, calou-me.

O que não fiz, partiu-me.

O que não senti, doeu-se.

O que não vivi, morreu-se.

O que adiei, adeus-se.

……

“Remisson, nós, os nefelibatas, falamos todos uma linguagem estranha- a poesia- e sabemos como é difícil a comunicação nesse mundo prosaico.”

Abraço, ars

Affonso Romano de Sant’Anna

27/03/1937 – 04/03/2025

Imagem google livre: ARS e Marina Colasanti


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