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Adulterado Criança,não queria crescer.Senhor de mim, gigante,ser criança me bastava.Homem feito,quis ser como antes – criança, e não houve jeito. Hora de viver, não viver!Hora de morrer, morrer! Dia quase chegando ao fim.Que esta noite eu morra direito em casadepois de ter morrido em vão aqui.24 horas de morte ininterrupta,12 durante o dia, 12 noite…
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Espetáculo DESCOMPASSOS, escrito por Angelo Mendes Corrêa, coloca em cena conflitos de um casal gay Encenada em uma quitinete próxima a Praça da Sé, a montagem é restrita a apenas 20 espectadores por sessão, que compartilham o mesmo espaço que os atores, como se presenciassem de perto uma DR que, embora particular, ecoa dores e…
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O POÉTICO: A LINGUAGEM (Hirondina Joshua) A linguagem poética não se limita à função de comunicar. Ela não se conforma ao gesto de transmitir informações ou de ordenar o real em frases transparentes. A poesia se alimenta da opacidade do verbo, do seu poder de sugerir o que não pode ser capturado em definições. Ao…
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Um tostão pelos seus pensamentos, conto de Betty Vidigal — Em que você está pensando?, ele perguntou.A resposta demorou um nanosegundo mais do que deveria.— Eu posso dizer em que estou pensando… ou posso dizer qualquer outra coisa. E você não tem como saber se estou sendo sincera ou não.— É verdade, ele concordou, em…
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Transação (Leila Guenther) Nunca mais usarei uma xícara suaNem emprestarei um pedaço de sua fita-crepeOu dessas que usamos para mantes as coisas [juntas à forçaNunca mais jogarei fora a sacola descartável de [seu restaurante favoritoBeberei vinho nos copos resistentes a arremesso [que eu mesma trouxeE guardarei o resto da comida que fiz nos potes [de…
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Ontem, vendo esta foto feita em Sergipe, escrevi isto que acho ser um poema:Saí daquela terra E fui cantando mundo afora As tristezas do que vivi.O que fui encontrando na estrada Não diferia do que deixei. Numa paragem vi fomeMas pássaros cantavamAo redor daquiloE achei que ainda havia vida para cantar. O grande Rio chegou…
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à janela do tempo, de Dalila Teles Veras debruçada contemplo a reta de chegada:setenta(quantos mais?)a curva…(vejo/indago)e depois?por naturezasabe-seoráculossão ambíguoscarecemde interpretaçãoDo livro Fugas e Urgências (Alpharrabio Edições, 2022)Fotografia colhida do feicebuque da poeta
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As Contradições do Corpo, de Carlos Drummond de AndradeMeu corpo não é meu corpo,é ilusão de outro ser.Sabe a arte de esconder-mee é de tal modo sagazque a mim de mim ele oculta.Meu corpo, não meu agente,meu envelope selado,meu revólver de assustar,tornou-se meu carcereiro,me sabe mais que me sei.Meu corpo apaga a lembrançaque eu tinha…
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madrugada o tempo olhou nos meus olhos; disse: – passarei! o eterno (sem olhar) exclamou: – não passarei! – a casa é tua alimento a sede de saciar o Verbo Hamilton Faria Fonte: feicebuque do Hamilton Faria
