Ninguém é uma ilha, por Vicente de Paulo Bisogno
“Ninguém é uma ilha. Alguém até pode, em determinados momentos da vida, ‘estar ilha’. Não conseguiremos jamais ficar constantemente isolados do resto da humanidade, pois o estar só contrapõe-se ferrenhamente ao estar-com, desde o momento em que somos gerados e ficamos no ventre (estar com a mãe) até o momento em que nascemos efetivamente e continuamos dependentes dela ou de outro alguém para as necessidades mais básicas da sobrevivência”.
A afirmação de Remisson Aniceto reforça a tese de que a vida é uma grande rede de vidas ligadas à grande vida, fonte de toda a criação. Sempre haverá alguém precisando de alguém. Há pessoas caladas que precisam de alguém para conversar. Há pessoas tristes que precisam de alguém que as conforte, pessoas tímidas que precisam de um incentivo para soltarem seus dons, pessoas sozinhas à espera de uma companhia, pessoas com medo que precisam de segurança para se libertarem de seu clausuro, de alguém para lhes estender a mão e acolhê-las confiantes.

Há pessoas fortes que precisam de alguém que as levem a usar a sua força da melhor maneira, pessoas habilidosas que precisam de uma oportunidade, pessoas escondidas em suas conchas, que precisam ser descobertas para mostrarem a pérola que há em seu interior.
Pessoas impulsivas, agressivas, que precisam de alguém que as faça ver no espelho da vida o quanto se transformam quando perdem seu equilíbrio, seu auto controle. Querendo ou não, todos somos dependentes uns dos outros, alguns mais, outros menos, mas ninguém é uma ilha. Estamos sempre conectados. O problema é quando nos desconectamos, principalmente de nós mesmos. Crescer sem deixar morrer a criança que um dia existiu em nós, pode ser um bom ponto de partida.
Como escreveu Antoine de St. Exupéry, “os adultos nunca entendem nada sozinhos, e é cansativo para as crianças ficarem sempre e a toda hora lhes dando explicações”. O aprendizado da vida é uma longa estrada. Ajudando-nos uns aos outros aprendemos mais, e vamos mais longe. Agora e depois.
A vida continua, nesta e em outras dimensões.
Fonte: diariosm.com.br/colunistas

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