ECOS

Paro no meio fio da Augusta com Paulista. Paro. Fecho os olhos entre a multidão que atravessa, imensa. Respirares densos, pesados, leves, quase mortos, quase vivos, quase celestiais. Conversas entrecortadas escuto. A massa humana… fatalmente humana, apressados ou rápidos correm a pele deste passageiro da agonia humana em 2025.
Deitada na barraca, obesa com dois filhos, paro para perguntar a mulher sobre a vida dela. – Preciso de comida – só isso. Só isso? E neste instante passa uma mulher alta linda, de grandes olhos verdes, de salto apressadamente e vestida de oscar freire, que nos olha por um segundo e segue… Enquanto o mundo inteiro compete meu olhos voltam para a poesia em São Paulo. Mesmo no sofrimento que nos deixa impotentes, Sofrimentos urbanos, sofrimentos nas esquinas. Alegris, alegrias em outras:

Amor

Líquidos poéticos derramam palavras-desejos em cartas de concreto.

Estou em Julho e seus instagrans-olhos-verdes pela avenida de sampa me diz que somos eternos…

Não há imagens ou frases feitas, obsoletas, novelescas, embaixo desta corrente violenta viaduto mais poderosas do que nossas poesias, corações vivificantes.

Pulsar invisível aos preconceituosos e humanos padronizados. Em São Paulo estamos cercados de extraterrestres e alguns humanos zen, simples e solidários.

Rodeados de milhões de sonhadores, consumistas capazes de vender as mães por dinheiro… para um dia entrar na TV… para um dia ostentar aos espelhos das ilusões.
Sampa espelha vida e morte.

E prefiro o amor, vestido de olhos verdes.

Carlos Mattos


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Uma resposta para “Sem São Paulo não sou feliz”

  1. Avatar de Remisson Aniceto

    Gratidão, Carlos Mattos, por escrever em nossa revista. Seja sempre bem-vindo! Um abraço.

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