O PRISIONEIRO

por Soares Feitosa

Trouxeram-me a prisioneira ao
interrogatório.
Recusei-me às perguntas,
as respostas estavam ao passado.
Sequer o futuro
se lhe indagou;
que também recusou
perguntar, quando os carrascos lhe
disseram:

– Pergunte o que quiser.

Ela apenas balbuciou:
– Eu sei.


Mentíamo-nos,
jamais nos víramos.
Decretei a prisão imediata de todos os
carrascos.
Mantive a prisioneira sob algemas,
que ninguém é louco de manter
tesoiro tão rico ao léu;
prudência maior,
soltei-lhe os braços; as algemas
mudei-as aos meus próprios pulsos.
Ela –
os gestos diziam que me seriam
sob afagos.
Deixei
apenas que os olhos, os cabelos úmidos.
— Os meus?

— Os dela?

Era o chamamento.

Fortaleza, noite, 11.12.1999

SOARES FEITOSA (by David Feitosa, 2.02.2011) – Francisco José. 19.01.44, Ipu, CE. É o editor do Jornal de Poesia. Publicou, em 1997, Psi, a Penúltima, poesia e ensaio, esgotado. Aqui o inteiro teor, on line, basta clicar: PSI, A PENÚLTIMA

Fonte: Jornal de Poesia (Soares Feitosa)


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