E eis que o Brasil anoitece com uma notícia digna de roteiristas de novelas mexicanas: Jair Messias Bolsonaro, o mito de muitos e o meme de tantos outros, finalmente encontra-se confinado, preso. Não em uma cela mofada de presídio, mas na mais temida das prisões modernas: o cárcere domiciliar sem Wi-Fi. Alexandre de Moraes, com sua careca reluzente de autoridade, determinou que o ex-presidente cumpra sua pena em casa, sem celular, sem visitantes e, mais importante, sem Instagram. É disso que o Brasil precisa: um reality show onde o protagonista não pode dar spoiler. A ironia, claro, é irresistível. O homem que construiu sua imagem política a golpes de tweets e lives de churrasco agora está condenado ao silêncio digital. Um cavaleiro sem teclado. Um influencer sem Wi-Fi. Sem Facebook, sem WhatsApp, sem Telegram (ou será que ainda tem aquele grupo secreto com os “caras de bem”?). A pena é cruel, mas, convenhamos, justa. Afinal, quem vive pela postagem, morre pela postagem.

O mais curioso é que o cerco foi fechado por conta de um deslize clássico: um vídeo compartilhado pelo filho, o sempre eloquente Flávio Bolsonaro, que, ao que parece, ainda não entendeu que o STF não é exatamente fã de homenagens golpistas. Um post, uma transgressão, um Moraes furioso. O ministro ressuscitou aquele velho clichê jurídico que nunca sai de moda: “A justiça é cega, mas não é tola”. Mas, cá entre nós, parece que a justiça no Brasil, além de cega e não tola, também é fã de um bom barraco. E a Polícia Federal, claro, entrou em cena com a elegância de sempre: buscas na casa do ex-presidente , como se Bolsonaro escondesse um arsenal de memes proibidos. Talvez procurassem um celular secreto. Talvez um diário com planos para um golpe 2.0. Ou talvez apenas quisessem dar uma olhada na famosa cozinha onde tantos churrascos patrióticos foram transmitidos ao vivo. O fato é que a operação foi eficiente, e agora Bolsonaro está oficialmente em prisão domiciliar.

As restrições são dignas de um manual de controle parental. Nada de redes sociais. Nada de celulares. Nada de visitas, exceto advogados com procuração. Parece até que Moraes montou um tutorial de “como desativar um bolsonarista em poucas etapas”. Ah, e nada de contatos com embaixadores ou investigados. Ou seja, tchau, Steve Bannon; tchau, Carla Zambelli. Não é mais um “Brasil acima de tudo”; agora é “Bolsonaro abaixo do sinal de internet”. Enquanto isso, a militância que ainda resiste grita nas redes sociais (essas que Bolsonaro não pode acessar): “Ditadura!”, “Perseguição política!” e, claro, “Moraes, comunista!”. Mas a verdade é que o Brasil segue funcionando, e a maior preocupação dos brasileiros parece ser entender como assistir à próxima temporada de A Fazenda sem recorrer ao streaming pirata.

No fim das contas, a prisão domiciliar de Bolsonaro é uma espécie de metáfora perfeita para o Brasil contemporâneo: um país onde a justiça, lenta mas certeira, mostra que ninguém está acima da lei – nem mesmo aquele que um dia se intitulou “imorrível”. Bolsonaro vive seu novo cotidiano sem lives, sem selfies e sem a companhia de seus fiéis seguidores. O Brasil observa, com uma mistura de alívio e tédio, o fim de mais um capítulo de sua interminável novela política. E agora, Jair?

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(Aviso: Constante verificação de plágio direto ou indireto deste texto através de ferramenta freeware. Comprovado (com print), será feita a ata notarial em cartório para as providências legais cabíveis.)

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📸 Gabriela Biló

Conteúdo retirado integralmente do feicebuque de Leal Kostav, com a devida autorização


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