Páginas pesadas de metais e espantos – Erivelton Braz

No próximo dia 1º de Outubro será lançado em João Monlevade (MG) o romance Nas Terras Pesadas de Metais e Espantos, escrito pelo professor, jornalista e editor do Jornal A Notícia Regional. Trata-se de um um romance histórico que narra a vida de Jean Antoine Felix Dissandes de Monlevade, engenheiro francês que chegou ao Brasil em maio de 1817 e deu uma grande contribuição para o desenvolvimento da cidade de João Monlevade.

Com sua conhecida habilidade com as palavras, depois de uma extensa pesquisa documental, aproveitando o conhecimento adquirido ao longo dos anos e do amor que tem pela origem da cidade, Erivelton criou uma narrativa rica e envolvente, fazendo uma viagem no tempo para trazer aos leitores a vida de Jean Antoine Felix Dissandes de Monlevade desde a sua chegada ao nosso país, até a sua morte em 14 de dezembro de 1872. O romance se debruça sobre as informações da vida pessoal e os negócios do pioneiro, destacando a construção de uma famosa fábrica de ferro, que alavancou a industrialização do Brasil no século XIX.

Este romance, que começou a ser rascunhado há 27 anos, agora nasce através dos incentivos da Lei Paulo Gustavo e de outras instâncias governamentais, depois de revisado, inclui novos personagens e fatos, resgatando a esquecida história de luta dos homens e mulheres escravizados que trabalharam nas propriedades de Monlevade.

Erivelton Braz é natural de João Monlevade, possui formação em Letras e é um acadêmico respeitado na área de Literatura. Ele é autor de várias outras obras, incluindo Entre Linhas: Crônicas, Histórias e Memórias de João Monlevade e Movido Por Amor, que destaca a biografia de Raimundo Motta Moreira.

Há muitos anos tive o privilégio de ser entrevistado pelo jornalista Erivelton Braz, escritor e editor do Jornal A Notícia Regional, da cidade de João Monlevade, vizinha da minha Nova Era. Desde aquela época ele me falou do seu antigo sonho de publicar um livro com a história do desbravador francês Jean Félix Dissandes de Monlevade, fundador da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, ao redor da qual a cidade que leva o seu nome cresceu e ganhou importância no cenário siderúrgico de Minas, do Brasil e do mundo. Lembro-me, ainda criança em Nova Era, da minha curiosidade ao ver a euforia de tantos trabalhadores uniformizados todos os dias entrando nos ônibus da Lopes de manhãzinha em Nova Era, com destino a João Monlevade, e voltando no início da noite. Morei em Monlevade durante alguns meses, na casa de um tio que trabalhava na Belgo Mineira.

O Engenheiro de Minas francês Jean Antoine Félix Dissandes de Monlevade chegou ao Rio de Janeiro aos 28 anos, em 1817, e de lá seguiu viagem para a província de Minas Gerais, onde no período imperial construiu nos altos da cidade a sua casa, o Solar de Monlevade. Criou ali uma pequena fábrica, e usando vários equipamentos que comprou na Inglaterra, ele prosperou, produzindo desde enxadas até freios para animais. Com a ajuda de outro pioneiro e também engenheiro, Louis Ensh, em 1930 criou a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, considerada durante décadas uma uma das mais importantes usinas do Brasil. A Belgo Mineira, atualmente Arcelor Mittal, durante muitas décadas presenciou o aparecimento de muitas outras indústrias de pequeno e médio porte na região.

Não nasci em Monlevade, mas tenho um imenso carinho pela cidade onde moram ou nasceram muitos parentes e amigos meus, como o autor deste livro, a Ione Morais , o Luiz Ernesto Oliveira Guimaraes , o Dimas Magella (já falecido), o Will Jony Gomes Nogueira , a Sheila Malta , a Jacqueline Silvério Jmde.

O nascimento deste belíssimo livro do Erivelton me dá a oportunidade de lembrar que a minha relação com Monlevade é praticamente quase tão umbilical como a que tenho com Nova Era. E não há como falar sobre João Monlevade sem lembrar do engenheiro francês que mudou a história dessa região, gravando o seu nome na história de Minas Gerais, dando oportunidade de emprego, de sustento e de progresso pra tantas famílias, atraindo investidores para o comércio alimentício, moveleiro, de hotelaria, de transportes, fazendo da cidade um ponto turístico e polo artístico e cultural. Com a Belgo Mineira e outros empreendimentos do Jean Féix Dissandes e de toda a comitiva que ele trouxe pra região, veio o incentivo para a criação de escolas, de hospitais, de empresas de transportes etc. Hoje João Monlevade é uma cidade rica e emancipada, dona de uma vida econômica próspera e de uma cultura efervescente que atrai muitos turistas e investidores.

Na minha infância eu ia muito a João Monlevade, onde dormia na casa dos meus tios e primos e ficava admirado com o ruído das máquinas, o intenso trânsito dos caminhões e dos vagões dos trens da CVRD levando minério e brita e das caçambas suspensas da Belgo-Mineira carregadas de carvão que iam pra lá e pra cá nos fios, saindo da siderúrgica e passando sobre o Piracicaba, quase beijando a copa dos pinheiros e sumindo por trás das montanhas, cujo verde só não era mais verde por conta da negra fuligem que se espalhava pelos morros e vales da cidade, tingindo também os telhados das casas, as ruas e engrossando a superfície das águas piracicabanas.

Na margem do rio, em frente à linda igreja que fica do outro lado, funcionava a rodoviária, de onde saíam e chegavam os ônibus de Nova Era, Ipatinga, Itabira, do Prata, Rio Piracicaba, Alvinópolis, Beagá, São Paulo, Rio e de tantos outros destinos do Sudeste, do Nordeste, do Sul, de tantos rincões do nosso lindo Brasil. Destes ônibus chegavam muitas famílias procurando por uma oportunidade de trabalho na Belgo Mineira. Isso foi antes dos anos 80 e hoje fico imaginando como cabiam tantos ônibus, carros de passeio e caminhões naquela estreita rua que margeava o rio Piracicaba. E naquela época ainda havia cavalos, carroças e charretes disputando espaço entre os veículos motorizados.

Hoje, quando passo por lá, vejo que na beirinha do rio, sob uma fileira de antigas árvores, sobrevive a mesma pequenina lanchonete que fervilhava de passageiros, motoristas e cobradores. E o rio continua passando, observando tudo, como sempre observou, mas agora, apesar da poluição dos novos tempos, seus olhos d’água estão um pouco mais limpos e mais calmos, com menos óleo, pó e pedaços de carvão e de madeira no seu leito.

Carrego uma infantil e inocente saudade das chaminés da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, hoje Arcelor Mittal, vomitando no céu cones de fumaça preta saída dos pulmões cirróticos da usina e dos pulmões dos trabalhadores, pela ingestão diuturna das borras de carvão.

Todo crescimento, todo progresso só é possível às custas de muito sacrifício, de iniciativa e de transformação. Para quem diz que o progresso apenas destrói, é preciso pensar que nada pode ser construído sem abdicação e sem coragem para a mudança. Victor Hugo escreveu que “o progresso roda constantemente sobre duas engrenagens, fazendo andar uma coisa e sempre esmagando alguém.” Já segundo George Bernard Shaw “o progresso é impossível sem mudança; e aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.” 

Precisamos nos abrir para todas as possibilidades, sabendo das consequências que virão com as nossas escolhas. E não escolher nem uma coisa nem outra nos deixa estagnados no espaço e no tempo.

Depois de tanto blá-blá-blá que muitos leitores devem pensar ou dizer que poderia ser dispensado, porque o mais importante aqui é o “Nas Terras Pesadas de Metais e Espantos – A Trajetória de Jean Antoine Félix Dissandes de Monlevade no Brasil” este aprendiz de cronista volta ao tema, e deixo abaixo o recado do monlevadense Erivelton Braz:

Este romance histórico finalmente ganha vida impressa. Nele, conto – entre fatos e imaginação, a trajetória de Jean de Monlevade, o último desbravador francês que, no século XIX, ajudou a forjar as origens da cidade. São páginas de resgate da nossa memória e história, aliadas à ficção literária para entender melhor esse legado e o espírito de Monlevade.

Depois de tantos anos de pesquisas, pausas e recomeços, é com o coração cheio de alegria que convido você para o lançamento e noite de autógrafos do meu livro, ‘Nas terras pesadas de metais e espantos“.

O lançamento (noite de autógrafos) será no próximo dia 1º de Outubro, a partir das 18h30, na Câmara Municipal de João Monlevade (MG) –  Avenida Dona Nenela, nº 146, bairro JK, João Monlevade, CEP: 35.930-672

📅 1º de outubro – 🕕 18h30 – 📍 Câmara Municipal de João Monlevade


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