Remisson Aniceto

Escrever sem ser prolixo não é pra qualquer um, e sempre que algum nome é levantado pela crítica sem nunca ter caído, porque ninguém ou quase ninguém o conhecia, a maioria dos leitores não pensa duas vezes e decreta: este é bom. Mesmo antes de um leitor ter pego um livro nas mãos, uma linha no jornal ou revista, principalmente considerando o peso do nome de quem a escreveu, aponta ou pressupõe o destino de um autor. Mas esta linhazinha não deveria ser determinante, e pra mim nunca será.

Na literatura, ser direto ou fazer rodeios não importa tanto se quem escreve e quem lê alcançarem o mesmo objetivo: o prazer que um livro pode proporcionar. Neste ponto sim, não pode haver economia. São os leitores que determinam ou deveriam determinar se um livro é bom ou ruim, independente da sua qualidade, no entanto a propaganda, eu já disse outras vezes, é a arma do negócio. Como se um livro fosse um cano apontado, com o gatilho sendo acionado a poucos centímetros dos nossos olhos. Diante de uma cena assim, quem não se ajoelha, quem não aceita as condições? Com tanta pobreza por aí, somos um povo acostumado a jogar no limbo muita comida boa pra aceitar consumir lixo. Ainda bem que neste meio há espaço para os bons, para os medianos, para os ruins, e até pra gente como eu, que vai de rabeira, comendo pelas beiradas. Quem está morrendo de sede ou de fome se sujeita a beber de qualquer mijinho de fonte salobra e lamber qualquer fundo de prato. E tanto a crítica quando a literatura nos alimentam com o que é bom e com o que não é.

Os críticos são importantes, sim, e gosto muito de ler o que eles – os bons e os ruins – escrevem sobre literatura, cinema ou outras formas de arte, mas não me deixo ser direcionado pra onde qualquer um deles quer, como ocorre com os fanáticos por líderes religiosos de araque. Sei usar muito bem o meu filtro pra nunca permitir que metam-me o senso goela abaixo.

VIVA o livro! Com ou sem os críticos, ele sempre sobreviverá. Em resumo, para a crítica literária, muito mais do que para quem realmente gosta de ler, o gosto se discute.

SP, 13/05/2011


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