POESIA DO LIVRO ‘CAMINHOS’, de Otávio Machadoa meu pai, sempre.você nasceu em Brejo Santo, Ceará, sertão no sertão fundamentalmente você nasceu secopoeira de sol rasgando entre cactosfacas do destino riscando os diasalgumas palavras povoam e atravessam a carne transformadaimagem que tenho nas fotografias e rostos que se apagam em papelforma lenta e claridadesdecifrando as formasum…
poema de Edmir Carvalho Bezerra Tenho flores nos olhos,raízes de estrelas no ouvido,nos lábios, um alaúde emudecido.Enredei de ser um pequeno sol,um balão carregado por gaivotas.Dez príncipes costuram minhas asas,tenho coroas de alazões nos anéis,flertam meus sonhos luas de colheitas.Um cadafalso empurra desertos doentes,para onde dormem os abismos,um trem mastiga minhas unhas,tangerinas jejuam no lilás…
Dois poemas de José Danilo Rangel É como se eu tivesseo tempo todoesperando por algumacoisa,Pronto pra algumacoisaCoisa alguma.******Os ricos tão mais ricosdo que nunca, os pobrestão mais pobres do quenunca.Sinal que tá funcionandoo “trabalhe enquanto eles dormem”.Só não pra quem trabalha.****** Fonte dos textos e da imagem: feicebuque do autor
Rubens Jardim e Álvaro Alves de Faria O Álvaro me disse sobre o Rubens quando lhe enviei esta foto: “Merecida lembrança de nosso querido Rubens Jardim. Fomos amigos por 50 anos. Amigos mesmo de verdade, sem nunca ter havido a vida inteira uma única palavra ofensiva. Uma pena que se tenha ido. Fará muita falta…
por Soares Feitosa Trouxeram-me a prisioneira aointerrogatório.Recusei-me às perguntas,as respostas estavam ao passado.Sequer o futurose lhe indagou;que também recusouperguntar, quando os carrascos lhedisseram: – Pergunte o que quiser. Ela apenas balbuciou:– Eu sei. Mentíamo-nos,jamais nos víramos.Decretei a prisão imediata de todos oscarrascos.Mantive a prisioneira sob algemas,que ninguém é louco de mantertesoiro tão rico ao léu;prudência…
de Celso de Alencar Era diferente.Tínhamos um inimigo.Sabíamos quem era o inimigo.Agora é diferente.Não sabemos quem é o inimigo.E ele é muito.E vive conosco.Juntos, sentámo-nos em voltada mesma mesa.As árvores ainda nos protegemcom suas sombras de verão.Elas são velhas.Mais velhas que todos nós reunidosmas ainda nos protegem.Fonte do texto: https://recantodopoeta.com/
O arrepio da alma se dá na convulsãoNo torpor do que pulsa apesar da morte No frenesi do espelho d’água beijando o umbigo da ave noturnaNo murmúrio descendente do canal lacrimalNo azeite incensado no centro da floresta negra eno dourado respingo dos rastros do lagarto sagrado.O arrepio da alma só se opera como um milagre…
por Marcio Catunda Jorge Ventura,o astro da poesia carioca,dialoga com Tânatos,ao atravessar as noitesde uivos insanos,para atender aos amigosque o esperamosnos saraus da Zona Sul.Para chegar a muitos lugares,ele tem braços múltiploscomo Shiva.Na sua trajetória,águia de luminosos tentáculos,ele recolhe lebres lúbricaspelos descaminhos insuspeitos.O ofício da arte é o seu manancial,a sua mania e a sua…
Melhor ficar quieto…dá pra ouvir as ondasquebrando no barcoFoto trabalhada pelo artista plástico Antonio Boni Bonifácio e por ele exposta no Londrix, Festival Literário de Londrina, há dez anos.O poema foi publicado no livro Proesia, apresentado durante este festival.Obs: Conteúdo retirado do feicebuque do poeta
Em meu dedoo teu dedal(tento, mãecosturar tua memóriaprender-te ao que me resta)Incertos pontosque a vista embaçadanão deixa urdirFonte: www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/