Categoria: Poesia


  • a mão da mãe morta afaga os mesmos medoscom alfinete nas unhas e o dedo ainda em ristealma dourada e fria em mim perene e duracujo olho direito dança medonho e tristevigia tudo e todos e todos os ladosenquanto o outro vela minha eterna insôniae espanta o sonho mau quesempre me acompanhaé manso o colo…

  • Se Deus fosse mulher

    Se fosse mulher, Deus saberia que Ele não teria descansado. Se fosse mulher Deus saberia que Ele teria trabalhado no primeiro, no segundo, no terceiro, no quarto, no quinto, no sexto e também no sétimo dia. Se fosse mulher, Deus saberia que Ele nunca descansaria. Que viveria sempre cansado, trabalhando o tempo inteiro, escravizado pelo…

  • À beira do abismo você salta ou voa? O que é saltar senão voar para baixo? O que está em baixo é um fio prolongado entre o que está em cima. Da margem direita do rio, vejo a esquerda tornar-se espelho.Algumas remadas e a paisagem se devora. Tudo é lugar. Tudo é quase e nunca.…

  • A loucura de Deus

    Deus e a criação do homem

  • (Diléné Barrêto)A música na almaAlma não tinha Voz de um anjoAnjo não era A destreza da palavra Um poeta sem poesiaDesejava o Monte Olimpo Sem subir montanhasUm caminhante sem pernasPensava ser um Deus Sem saber ser servoA vida lhe deu munições Para realizar seus sonhos Não os realizou E sem vivenciar O sabor da conquistaViveu…

  • MARAVILHANDO No fundo do meu peito, dorme um verso.É feito de visões, contradições,desesperanças, sonhos, sins, senões.Nele cabem tu, eu, mais o universo.Se te abro o coração, em dor imerso,então já não converso – oh emoções! –mas transfiro minha alma e oraçõesao deus que, em ti presente, eu conservo.É que a beleza vive pelo amore só…

  • Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti. Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi. De que serviu tecer flores pelas areias do chão se havia gente dormindo sobre o próprio coração? E não pude levantá-la! Choro pelo que não fiz. E pela minha fraqueza é que sou triste e infeliz.…

  • Onde está o jardim?Continua bem aliCom seus canteiros em pazAo lado dos muros caiados Insetos e ervas daninhasConvivem com pedrasEm gramíneas eternas Nuvens e perfumesVigiam os arredoresEnquanto essa belezaCompanheira da verdadeSegue longe dos homensQue continuam cansadosEntre quartos vaziosSalas e corredoresÀ espera do aviso Fonte do poema:http://joseantoniogoncalves.com.br/

  • Vou desaparecer da tua vida,e ela vai ficar tão aborrecida! Vou deixar a tua vida lisa e plana,sem graça como um início de semana,uma semana dessas bem compridas,sem expectativa de alegrias. Uma sucessão de dias desbotados,tardes frias,noites descoloridas, madrugadaspálidas e mal dormidas. Vou sumir até mesmo dos teus sonhos,não vou aparecer nem em delírios;tenho planos…