Seu carrinho está vazio no momento!
Só assim se explica a história
Da divina criação:
Deus estava perdendo a memória
E foi perdendo também a razão.
Agora Ele procura o projeto
De toda a Sua Criação,
Para excluir o que não deu certo
E causou tamanha confusão.
Mas estando fraco da memória,
Ele não lembra onde guardou
Ou se já descartou e jogou fora
O arquivo da Sua invenção.
Deus devia estar louco varrido,
Em um sonambulismo profundo.
Só estando lelé é que faria sentido
Ele ter posto o homem no mundo.
Num raríssimo instante de lucidez,
A mulher foi o que Ele fez
De mais belo e de mais perfeito,
Para ser a nossa companheira,
Mas o homem, ingrato e imperfeito,
A fez de objeto e a tornou prisioneira.
Deus bebeu uma semana inteira,
Sete dias e sete noites sem parar,
Agora se arrependeu da besteira
De quando resolveu nos criar.
Ele devia estar delirando,
Na mais insana piração,
Para fazer todo este bando
De humanos sem noção.
Vagava em grande tormento
Quando abençoou todos nós,
Agora amaldiçoa o momento
Em que nos concedeu a voz.
Não devia estar pensando bem,
Vítimado por grande sofrimento —
Teoria que justifica também
Ele nos ter dado o pensamento.
Devia estar mesmo demente
Para agir com tanta insensatez,
Ou sofrido um grave acidente
Que roubou Dele a lucidez.
Não tendo a paciência de Jó,
Deus procura o Seu antigo projeto.
Eliminar o homem sem dó —
E então reduzi-lo ao pó —
Será o Seu mais novo decreto.
Só assim se explica a história
Da divina criação:
Deus havia perdido a memória
E foi perdendo também a razão.
.
Remisson Aniceto
Descubra mais sobre PROTEXTO – Revista de literatura
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
Deixe uma resposta