por Claudio Laureatti
Tudo começa no começo, ninguém começa lendo livros difíceis. Há temas e tropos comuns em obras literárias para jovens adultos. Estamos falando de ingresso na literatura e formação de leitores. O tempo passou e como a literatura Vaga-lume encontra os indígenas ? A negritude? A homoafetividade? O feminismo? E vice-versa, como o eixo político encontra a literatura Vaga-Lume? Temas como diversidade, bullying, igualdade de gênero, e sustentabilidade são cada vez mais presentes na literatura infantojuvenil? Como? Quando falamos do público infantojuvenil e a busca do(a) jovem pelo seu lugar no mundo estamos falando também do lugar no mundo dessa literatura infantojuvenil. Falamos de jovens leitores, com temas com os quais eles podem se conectar emocionalmente. O jovem negro(a) só pode se conectar emocionalmente com um autor(a) negro(a)? A jovem mulher só pode se conectar emocionalmente com um autora?
O jovem homoafetivo(a) só pode se conectar emocionalmente com um autor(a) homoafetivo(a)? O(A) jovem indígena só pode se conectar emocionalmente com um autor(a) indígena? Eixo das ciências sociais se sobrepõe sobre o eixo das ciências literárias, do fazer literário – Patrulhamento 🚓 político? Exemplos já temos: Monteiro Lobato, super questionado autor de literatura infantojuvenil pelo movimento negro radical – e o quadrinista Maurício de Sousa é o novo alvo. Mark Twain, por exemplo. Ele não vem sendo mais lido nas escolas, pelo uso da palavra nigga, considerada depreciativa ou ofensiva para os afro-americanos. Militância seletiva? Jovens de 12 a 21 anos, fase marcada por um período de desenvolvimento intenso, com mudanças físicas, emocionais significativas e percepções sociais significativas? Como? No ensino público? No ensino privado? Aonde nesse ensino privado? Nos colégios mais endinheirados? Mark Twain, por exemplo. Ele não vem sendo mais lido nas escolas, pelo uso da palavra nigga, considerada depreciativa ou ofensiva para os afro-americanos” Militância seletiva? Entre os próprios negros tudo bem o uso do termo nigga. Vindo de fora desse recorte é racismo? Dupla moral, duplicidade moral? São manifestações da estupidez humana. É como querer censurar ou esquecer Anchieta e seus autos catequéticos porque era pra “conversão dos gentios”. Oras, tudo que ele demoniza é riquíssimo material antropológico da vida indígena. Se soubermos “ler a contrapelo”, é claro, como nos alertou Walter Benjamin.

O conceito de “politicamente correto” para além dos seus limites buscando hostilizar, atravancar, gerir a atividade literária- uma heterorregulação muitas vezes nefasta, via redes NADA sociais? Machado de Assis aos 15 anos?E o vestibular? Crescer rápido dos 15 aos 18 anos? Romeu e Julieta é e não é história para jovens adultos dos 12 aos 21 anos. E a a história de amor entre meninos e meninas? Meninos e meninos? “A droga da Obediência”: Pedro Bandeira sofreu ataques da direita ao ler apenas a capa é risível ou sinal dos tempos que vivemos? Os adolescentes não eram um grupo demográfico designado na maioria dos seus aspectos até a Segunda Guerra Mundial, o que aconteceu devido em parte aos avanços na psicologia e às mudanças sociológicas, como a abolição do trabalho infantil. Mas veio também o marketing de roupas, música, filmes, programas de rádio e … o romance para jovens adultos : Harry Potter, Jogos Vorazes, Crepúsculo, Percy Jackson
O Hobbit (1937) e O Senhor dos Anéis (1954–5) de JRR Tolkien são romances de fantasia de grande sucesso. É recolonização?Vendem milhares, milhões. Onde foi parar Alice no país das maravilhas? O apanhador no campo de centeio, e a disfunção familiar ( “Angry young man”) abuso de substâncias, alcoolismo e sexualidade? Os romances focados em tópicos controversos como masturbação , menstruação , sexo adolescente? A literatura jovem adulta escrita para leitores de 12 a 18 anos que inclui a disfunção familiar ( “Angry young man”) abuso de substâncias, alcoolismo e sexualidade? Cadê? Romance narrado por um protagonista adolescente falando de um ponto de vista adolescente, com todas as limitações de compreensão que isso implica hoje em dia, cadê? Não nos importamos mais que os personagens sejam rebeldes e, amantes da liberdade, lutadores pela justiça e, em vez disso nos atentamos nos melindres semânticos? Censura a livros infantojuvenis tem unido radicais à esquerda e à direita. O regime de censura se espalhou, silenciosamente, à princípio, entre os editores educacionais em resposta a grupos de pressão, tanto da direita quanto da esquerda, e consequentemente restrição do que os alunos aprendem, como os livros didáticos e paradidáticos. E dá-lhe enxurrada de best-sellers anglo-americanos! Vivas a lendária Coleção Vaga-lume!

Laureatti com Marçal Aquino
Texto e imagens do feicebuque do Claudio Laureatti

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