A DOR EM GAZA

por Leal Kostav

O sol se punha lentamente sobre a Faixa de Gaza, tingindo o céu de laranja , como se quisesse esconder a dor que se desenrolava no chão. As tendas, feitas de pano e esperança, alinhavam-se em um campo improvisado. Ali, a vida vibrava frágil, mas ainda havia sorrisos entre as crianças.

Papai, você me promete que a gente vai voltar para casa um dia? — perguntou Amina, uma menina de olhos grandes e sonhadores.

— Eu prometo, minha filha. Assim que tudo isso acabar, vamos voltar para onde as flores crescem e o sol brilha sem medo — respondeu Omar, a tristeza na voz.

Mas naquela noite, o céu se tornaria um espectador silencioso de mais um ato de destruição.

— Olha, uma luz vermelha — gritou um menino, apontando para o horizonte. A alegria rapidamente se transformou em pânico.

— Corram. Para a tenda — ordenou Omar, puxando Amina pela mão. Era tarde demais.

— Estávamos na nossa tenda e, de repente, vimos uma luz vermelha. Depois, as tendas pegaram fogo. Tudo explodiu — contou um sobrevivente, olhos arregalados de terror.

O som do estrondo ainda retumbava. As chamas iluminavam a escuridão, revelavam rostos aterrorizados e lágrimas que corriam como rios de dor.

— Mamãe, onde está o papai? — questionou uma criança, enquanto se agarrava à mãe, que chorava em silêncio.

—Ele está aqui, meu amor. Ele sempre estará conosco — respondeu a mulher, mas a incerteza em sua voz não conseguia confortar a pequena.

Naquele abrigo improvisado em Jabalia, efeitos da tragédia se misturavam ao lamento das famílias. Sete membros de uma mesma família foram mortos em um único ataque. O desespero se espalhou como fogo em palha seca.

— Como pode haver tanta dor em um só lugar? — murmurou um vizinho, enquanto observava a cena de destruição ao seu redor.

— Talvez um dia as flores voltem a crescer aqui, disse uma senhora. Mas precisamos resistir. Nossas histórias não podem ser esquecidas.

O sol se escondia no horizonte, a vida continuava em meio à aflição que se abatia sobre a Faixa de Gaza.

Fonte: feicebuque do Leal Kostav, com a sua devida autorização


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