Ele foi o rei da Judeia, um dos homens mais articulados de seu tempo. Entretanto a sede de poder e o ciúmes, o tornou um dos ditadores mais perversos da história. Aquele que entrou para as páginas como o matador de crianças judias

herodes

Herodes nasceu por volta de 74 a.C. na terra de Edom, cidade conhecida atualmente como Neguev ou Neveg, em uma pequena região deserta ao sul da Judeia. Filho do pai Antipatros e da mãe Cupros ou Cipros. Herodes herdou a sede de poder do pai, que era um seguidor de Hircano II. Aliás, foi por meio dos laços de seu pai com Hircano e o apoio a César que Herodes e seu irmão Fasael conseguiram suas primeiras nomeações para cargos públicos.

 

Herodes era um menino de 16 anos quando conseguiu ser nomeado como prefeito de Galileia, no norte da Judeia. Foi durante suas primeiras atitudes como mandatário que ele mostraria sua forma de agir em toda a sua vida no poder. Ele era tirânico, justo e, ao mesmo tempo, bárbaro. Ao chegar ao cargo máximo, um de seus atos foi desfazer um grupo de semir religiosos que não aceitavam pagar os tributos e desobedeciam as leis do governo.

 

Atos de violência
Mariamne, segunda esposa de Herodes, filha de Alexandre e Alexandra | Foto: John William Waterhouse

A primeira vítima de Herodes foi o líder dos rebeldes, um homem chamado Ezequias. Ele foi capturado, torturado e executado sem nenhum tipo de julgamento. O ato enfureceu os judeus mais tradicionais e foi chamado a prestar esclarecimentos ao sinédrio (Suprema corte judaica). Herodes só foi liberado devido a uma ordem repentina vinda de Roma, senão seria condenado. Isso o deixou ainda mais arrogante. Tempo depois, em 15 de março de 44 a.C. Júlio César foi assassinado e a família de Herodes (conhecidos como herodianos) ficou na expectativa pelo nome do substituto do imperador. Afinal suas posições públicas dependiam disso.

 

A vida de Herodes melhorou muito quando, em um ataque de rebeldes judeus contra ele e Hircano, conseguiu conter o grupo. Em retribuição, Hircano deu a mão de sua neta, a princesa Mariamne, em casamento. Mesmo sendo casado com a árabe Dóris, Herodes contraiu novo casamento que, aliás, não foi o único. No decorrer de sua vida, Herodes casou-se com mais de dez mulheres e com elas teve entre 12 e 14 filhos.

 

Seu maior desafio sempre foi conquistar Roma e assim conseguir mais poder. Foi dessa forma que se aproximou de Marco Antônio, o líder do Império romano. Ambos tinham muito em comum, em especial suas naturezas cruéis e brutais. Marco Antônio logo deu provas disso ordenando a execução de centenas de judeus em sinal da lealdade de Herodes. Fora isso, nomeou-o com seu irmão para governar e co-governar a Judeia.

 

O apoio de Roma
Herodes | Foto: James Tissot

Não foram poucos os problemas que Herodes enfrentou no poder, em um deles fugiu para Massada com parte de sua família e soldados. Lá ficou escondido do exército de Antígono, um de seus maiores inimigos. Não conseguindo se sustentar por muito tempo ali, rumou para Roma com a finalidade de pedir proteção aos romanos. O Senado concordou com o seu pedido de ser nomeado “rei dos judeus” e com o restabelecimento da soberania romana na Judeia. Foi assim que o ditador seguiu para Massada a fim de libertar seus seguidores e sitiou Jerusalém antes de seguir para seu destino. Antígono, que havia sido capturado por Herodes, foi enviado a Roma, chicoteado até a morte e depois decapitado.

 

Durante o seu reinado, Herodes manteve sua estratégia de bom ditador e de apoiar quem estivesse no poder. Fosse Marco Antônio a estrela de Roma, ele o apoiava; se era Otávio, mudava de lado. Assim alternava sua lealdade, em detrimento de quem estivesse no poder.

 

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Há vezes, em que alguém arrisca, de fato, tudo em alguma coisa para o bem de outras pessoas, quando descobre e defende uma verdade. O mundo costuma ser hostil nesses casos – e o foi com Nelson Mandela. É fato que ele merecia toda a reverência e todo respeito possível depois do imensurável sacrifício que fez por sua nação – e pelo mundo – em sua incansável luta pela liberdade na África do Sul. Mas, de maneira inesperadamente singular, nem a família nem seus próprios correligionários políticos parecem dispostos a conceder ao herói da luta antiapartheid o merecido descanso depois de mais de 70 anos de luta contra um dos regimes mais cruéis do mundo contemporâneo.

 

O povo sul-africano assiste, estarrecido, à luta que se desenrola nos bastidores entre filhos, netos e parentes distantes pela divisão de seu patrimônio. Também brigam por definir onde será enterrado e o que farão do uso político de sua imagem. Prestes a completar 95 anos e internado por conta de uma infecção pulmonar desde o dia 8 de junho de 2013 no Medi-Clinic Heart Hospital, em Pretória, Mandela permanece em estado de coma enquanto uma multidão, do lado de fora do hospital e nos jardins de sua casa em Johannesburgo, aguarda por informações, presta homenagens ao seu idolatrado Madiba (o Conciliador) com orações e uma profusão de flores e mensagens.

Conspiração contra Mandela

Desde o momento em que foi transferido ao hospital, o destino parece conspirar contra Mandela. Primeiro foi a ambulância que quebrou na entrada entre Johannesburgo e Pretória, distantes uma da outra em 50 quilômetros. O veículo ficou parado quase uma hora em um frio de 6 graus. Nelson, já padecendo de graves distúrbios respiratórios, teve uma parada cardíaca, mas foi prontamente ressuscitado pela equipe médica. Ao seu lado, sua esposa Graça Machel entrava em desespero.

Depois, uma série de notícias trouxe à tona as desavenças da família Mandela na disputa de seu patrimônio avaliado em 15 milhões de dólares. O enredo teve de tudo, de sequestro de restos mortais, alteração de documentos assinados pelo próprio Madiba, ações judiciais e até disputas de poder entre os chefes de sua própria tribo, os tembus.

 

Ele tinha certeza que seu patrimônio seria motivo de disputa entre suas filhas e netos. Antecipando a discórdia, entre 2003 e 2005, com ajuda de seus advogados, Mandela criou vários fundos de investimentos para gerenciar sua fortuna e também assinou um documento nomeando curadores independentes para administrar a herança. Entretanto, sem o conhecimento do pai, duas de suas filhas, Makaziwe Mandela e Zenani Dlamini, secretamente, adulteraram o documento com a ajuda de um advogado.

 

Desde o início de 2013, Zenani é a embaixadora sul-africana na Argentina e também representa seu país no Paraguai. É a primeira filha do ex-presidente e de sua segunda esposa, Winnie Mandela, e foi casada com o príncipe Thumbumuzi Dlamini, de Suazilândia, de quem conserva o sobrenome e o título real.

Já Makaziwe, filha de Mandela com sua primeira mulher Evelyn Mase, falecida, é mais conhecida por brigar com a imprensa internacional, chamando os jornalistas de “abutres”. Logo, ela, em abril de 2013, com sua meia-irmã Zenani, entrou na Justiça para retirar do conselho de dois fundos de investimentos o amigo e advogado George Bizos, que defendeu seu pai em seu julgamento nos anos 60.

Sequestro dos restos mortais de mandela

No dia 26 de junho, os médicos de Pretória, frente ao quadro de “estado vegetativo permanente”, ou, em outras palavras, em coma irreversível no qual se encontrava Mandela, aconselharam a família a desligar a máquina que o ajuda a respirar e o mantém artificialmente vivo. A informação consta da documentação judicial entregue ao tribunal de Mthatha (ao sul do país) que arbitra o conflito familiar sobre onde serão sepultados os restos mortais do ex-presidente sul-africano.

 

Na verdade, Mandela nunca deixou por escrito como gostaria que fosse seu funeral, mas, por várias vezes, expressou o desejo de ser sepultado na aldeia de Qunu, onde passou parte de sua infância. Ali foram enterrados três de seus descendentes, frutos de seu primeiro casamento: seu filho mais velho Thembekile, que morreu em 1969; sua filha Makaziwe, que faleceu com nove meses em 1948; e de Makgatho, falecido em 2005 em consequência de complicações provocadas pelo vírus HIV.

Interesses políticos
Até Buyelekhaya Dalindyebo, rei da tribo dos tembus, quer destituir Mandla do cargo de chefe do vilarejo de Mvezo. O pedido de Dalindyebo não deverá ter efeito nenhum, na medida em que sua própria autoridade é questionada por um grupo de líderes tembu, desde que o rei foi acusado de homicídio em 2005.

 

Nem seus antigos correligionários políticos parecem estar interessados em deixá-lo em paz em seus últimos dias. O próprio presidente Jacob Zuma negou que o ex-presidente Nelson Mandela esteja em estado vegetativo, desautorizando, assim, o documento assinado pelos médicos do hospital de Pretória. Contrariando a todos, Zuma afirmou que o estado de saúde do líder político continua “crítico, mas estável”.

 

Na África do Sul, especula-se que há pressões políticas por parte do Congresso Nacional Africano (o partido de Mandela e de Jacob Zuma) para que a família só desligue a máquina depois de 18 de julho, dia do 95º aniversário do herói sul-africano. Dessa maneira, a morte de Mandela não estragaria a festa já preparada pelo CNA para o seu aniversário. A questão levantou tanta polêmica que Graça Machel tentou minimizar o constrangimento dizendo que o grande herói do apartheid não está em sofrimento.

Encrenqueiro de nascença

Além da vida e da aparência vigorosa, Mandela recebeu do pai quando nasceu seu nome do meio, Rolihlahla, que em uma tradução livre do dialeto xhosa quer dizer “encrenqueiro”. Não que seu pai tivesse o dom da premonição, nada disso. “Porém, amigos e parentes costumavam relacionar ao meu nome as muitas tempestades que provoquei e suportei. O nome inglês pelo qual sou conhecido, só recebi no meu primeiro dia de escola”, escreve Nelson Rolihlahla Mandela na abertura de sua comovente autobiografia Longo Caminho para a Liberdade, escrita em boa parte durante seu longo cativeiro de 27 anos.

 

Ele nasceu em Menzo, uma aldeia no território de Transkei, no sudeste da África do Sul, em 18 de julho de 1918. Era a área destinada à nação xhosa, povo orgulhoso de sua língua e costumes e com uma crença ferrenha na importância do respeito às leis, aos estudos e à cortesia. Seu pai, Henry Mphakanyiswa, ou Henry Mandela, chefe da tribo dos tembus (um dos grupos da nação xhosa), tinha ao todo 13 filhos das quatro esposas. Nelson era filho de sua terceira mulher.

 

Teimosia de família

A história de Henry Mandela confirma que “o encrenqueiro” teve a quem puxar. Quando Nelson ainda era um bebê, a família sofreu um grande baque por conta do temperamento de Henry. Orgulhoso e com um enorme senso de justiça, Henry não aceitou as ordens de um juiz branco (na época, a África do Sul estava sob o domínio britânico) que o interpelou por causa de uma simples vaca. Em represália pela rebeldia, Henry perdeu seu título, a fazenda, o gado e todos os rendimentos que lhe eram devidos como chefe: “ Passamos a viver em Qunu com menos luxo, mas foi lá que passei os melhores anos da minha vida”, escreve Nelson em sua autobiografia.

 

Aos 7 anos, tornou-se o primeiro membro da família a frequentar uma escola metodista na qual estudavam apenas as crianças da elite local. Mas, aos 9 anos, Rolihlahla perdeu o pai e sua vida complicou. Jongintaba, o príncipe regente dos tembus, tornou-se seu padrinho e não permitiu que ele deixasse de estudar para “não passar a vida trabalhando nas minas de ouro do homem branco, sem saber escrever o próprio nome”. Aos 16, Mandela se submeteu ao ritual de iniciação de sua tribo, ficou por um tempo recluso em uma caverna e saiu de lá com o corpo pintado de branco e achando-se pronto para iniciar sua vida adulta. Em 1938, com 20 anos, seguiu para Fort Hare, a única universidade negra do país.

O capitão de sua alma

Foi na universidade que Mandela entrou em contato pela primeira vez com membros do Congresso Nacional Africano, CNA. No segundo ano do curso de direito, ele aderiu ao movimento por melhorias na faculdade, acabou expulso e não teve alternativa a não ser voltar para casa. O rei dos tembus, Jongintaba, desgostoso com a situação, arranjou um casamento para o encrenqueiro que, inconformado com a ordem, fugiu para Joanesburgo em 1941, com seu primo e irmão adotivo Justice.

O jovem Mandela no escritório de advocacia de Mandela e Tambo, em Joanesburgo, 1952| Foto: American Academy of Achievement/Jurgen Schadeberg

Seu primeiro emprego como segurança de uma mina de ouro durou poucos dias, pois foi despedido assim que descobriram sua fuga do casamento arranjado. Nesse momento, Mandela descobriu que ser livre para comandar seu próprio destino seria muito mais complicado do que imaginava, até porque, para onde fosse, a intricada rede de parentesco de seu padrinho o encontrava e o delatava ao chefe.

A teimosia herdada do pai, entretanto, não deixou que ele desistisse. Saia de porta em porta à procura de ajuda com os parentes e sempre arranjava acomodação e comida. Para logo ser despejado quando descobriam suas mentiras. Sua sorte começou a virar quando foi bater na porta de certo Walter Sisulu, da mesma região de Transkei, que dirigia uma agência imobiliária. Além de comerciante de prestígio, Sisulu também era um respeitado líder comunitário e foi o primeiro a escutá-lo com atenção e a dar-lhe crédito. Ao saber que Mandela queria se formar em Direito, encaminhou-o para um amigo que o aceitou como estagiário.

 

O início da luta

Nessa época, ele morava em Alexandra, uma das favelas mais violentas da cidade. Em 1942, foi estudar direito em Witwatersrand, mas não conseguiu realizar os testes finais e ficou sem diploma, o que não o impediu de advogar. Ainda na universidade, em 1944, casou-se com uma prima de Sisulu, Evelyn Ntoko Mase, a primeira de três esposas.

 

A partir de 1944, sob influência de Sisulu, Mandela se juntou às fileiras do CNA. Mas a imobilidade do partido político, que existia desde 1912, o irritava tanto que, com Sisulu, Oliver Tambo e Govan Mbeki, fundou a Liga dos Jovens do CNA.

 

Apoiadores do CNA incentivam Mandela, confinado em um veículo que o transportava até o Tribunal de Joanesburgo, em 28 de dezembro de 1956

 

Em 1948, o regime racista levou Nelson Mandela a radicalizar a militância. Nos anos seguintes, liderou várias campanhas de desobediência civil, o que ajudou a transformar a resistência ao regime em um grande movimento de massas. Em 1952, com Oliver Tambo, abriu um escritório de advocacia negro bem em frente ao Palácio de Justiça de Joanesburgo, afrontando o regime racista no qual todos os juízes eram brancos. Entretanto, apesar de ser um advogado famoso, o Senhor, como também era chamado, estava proibido de se sentar onde quisesse por conta da lei do apartheid.

 

Nos anos seguintes, Mandela organizou e participou de inúmeras manifestações pacíficas contra as leis que cada vez mais oprimiam o povo negro da África do Sul e tirava-lhes a dignidade. Em 1955, participou de um grande movimento para redigir a Carta da Liberdade, que defendia um governo democrático e multirracial e que desse poder ao povo.

 

O partido comunista clandestino apoiou o movimento e isso foi o suficiente para o governo mandar prender todos os líderes oposicionistas, inclusive o Senhor, Nelson Mandela.

 

Hoogverraad!

Cento e cinquenta e duas pessoas, entre negros, oposicionistas e brancos, foram acusados de planejar um golpe contra o governo. O julgamento se arrastou por anos e a sentença só saiu em 1961. Por conta da enorme pressão feita pela imprensa internacional, todos foram considerados inocentes da acusação de alta traição.

 

Em março de 1960, em Sharpeville, uma cidade industrial próxima a Joanesburgo, eclodiram manifestações contra as leis cada vez mais racistas que resultaram em uma onda de violência, nas quais cerca de 68 pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas. A repressão ficou mais forte, o CNA foi banido e Mandela, que tinha partido para a clandestinidade, desistiu da resistência pacífica e fundou a Umkhonto we Sizwe, ou Lança da Nação, o braço armado do CNA.

 

Entre 1961 e 1962, ele comandou ataques que o levariam de novo a julgamento junto a sete militantes do partido. Em 1964, foi sentenciado à prisão perpétua por terrorismo. Começaram tempos duríssimos para o encrenqueiro. A primeira cela que ocupou em Robben Island era tão pequena que ele, com 1,85m de altura, dormia sobre uma esteira, com os pés e a cabeça quase tocando as paredes. Tomou banho gelado por oito anos. Costumava sair da cela, onde permaneceu durante 18 anos, para cumprir jornadas de trabalho forçado, quebrando pedras de cal no pátio.

 

Foram 27 anos de reclusão, nos quais ele nunca se aquietou. Nas poucas visitas que recebia, aproveitava para enviar cartas aos seus companheiros de luta, incentivando-os a continuar na resistência. Durante o tempo na prisão, Mandela aproveitou para aprender a língua inglesa. Só dessa maneira, dizia aos seus companheiros, é possível entender como funciona o raciocínio de seus opressores e vencê-los de forma pacífica.

 

Enfim, a liberdade

Desde 1978, o governo branco da África do Sul começou a sofrer mais e mais pressão dos organismos americanos e europeus para acabar com o regime do apartheid e liberar os presos políticos. Um boicote econômico internacional foi organizado e o regime do presidente P.W. Botha foi colocado em xeque. Botha declarou que estava preparado para libertar Mandela desde que ele renunciasse à violência como forma de protestar contra o apartheid. Mas não houve acordo. Em fevereiro de 1985, em frente a uma multidão de manifestantes, sua filha leu sua carta de rejeição à proposta do governo: “Só homens livres podem negociar. Prisioneiros não podem firmar acordos. Não posso e não vou firmar qualquer compromisso enquanto eu e você, povo, não estivermos livres. A minha liberdade é a liberdade de meu povo e não podem ser separadas.”

 

As negociações para a liberdade de Mandela ainda se arrastariam por mais cinco anos. Em fevereiro de 1990, o então presidente Frederik de Klerk, com quem Mandela dividiria o Prêmio Nobel da Paz em 1994, reverteu o banimento do CNA e com esse ato Mandela voltou à liberdade, com 71 anos. A responsabilidade do futuro da África do Sul estava, a partir daquele momento, em suas mãos.

 

“Nosso maior medo não é sermos inadequados. Nosso maior medo é sermos poderosos além do que podemos imaginar… pensando pequeno você não ajuda o mundo. Não há nenhuma bondade em você se diminuir, recuar para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor… Quando nos libertamos do nosso medo, nossa presença automaticamente libertará outros.”

 

Com essas palavras, Nelson Rolihlahla Mandela, o conciliador mais teimoso já nascido no continente africano, pronunciou seu discurso de posse em 10 de maio de 1994. Aos 75 anos, Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul. Seu maior objetivo foi consolidar a união de seu país dividido.

 

Mandela discursando para a multidão no estádio; ao seu lado, Winnie e Walter Sisulu, apenas dois dias depois de sua libertação | Foto: Mirrorpix

 

O líder sul-africano foi fiel aos seus compromissos de campanha e economicamente responsável, sem esbanjar os parcos recursos de seu país. Em grande parte, conseguiu mudar a imagem de um país estigmatizado no cenário internacional pela segregação e violência. Com ele, a África do Sul passou a fazer parte das agendas de mandatários importantes, tanto da Europa quanto das Américas.

 

Sem sua liderança firme e equilibrada, dizem os analistas políticos e historiadores, fatalmente o país teria acabado em uma guerra civil, até porque como escreveu Marc Ross, cientista político americano: “Os brancos ainda tinham o dinheiro e as armas e os negros queriam vingança.”

 

Adaptado do texto “O herói da liberdade”

 

Iniciada em julho de 1936, com término entre março e abril de 1939, foi um confronto bélico após o fracasso do golpe de estado de alguns militares, entre eles Francisco Franco, que não foi o seu principal mentor. Essa guerra teve o apoio da igreja e dos partidos espanhóis de direita, que se sublevaram contra o governo espanhol republicano eleito pela maioria dos espanhóis

Este conflito afetou não apenas os espanhóis, sendo considerado um dos maiores episódios do século 20, e estopim da Segunda Guerra Mundial, além de ter servido de ensaio para os armamentos de guerra novos de Adolf Hitler (Alemanha) e para Joseph Stalin (União Soviética), como experiência política.

Por volta de 1930, antes do início da Guerra Civil, o clima político e social era tenso, como consequência do golpe de estado realizado pelo capitão-general da Catalunha, Miguel Primo de Rivera, com a conivência do Rei Alfonso XIII, o que levou a Espanha à ditadura militar (1923-1930).

Em 1931, após as eleições municipais e a partida do rei ao exílio, foi instaurada a Segunda República. Além disso, houve crescentes conflitos entre esquerdistas, apoiados pelos sindicatos e partidos políticos de esquerda; e entre nacionalistas, com tendência fascista, amparados, por sua vez, pelo clero, exército e latifundiários. A Frente Popular esquerdista, eleita democraticamente em fevereiro de 1936, que defendia o Governo Republicano, em contraposição à frente nacional de direita, pretendia combater o fascismo crescente em território espanhol e em outros países europeus, e contava com o apoio da União Soviética.

Este contexto de enfrentamento ideológico foi a causa para que a guerra deixasse de ser um evento estritamente espanhol para ganhar importância entre forças que disputavam a hegemonia mundial.

Famílias se refugiando no metrô de Madri, em 9 de dezembro de 1936, enquanto bombas são derrubadas pelos aviões rebeldes de Franco

O clima turbulento interno motivado pela intensificação da luta de classes, em especial entre anarquistas e falangistas, provocou assassinatos políticos, instabilidade e perda de prestígio da Frente Popular. Por outro lado, os direitistas, derrotados nas eleições espanholas, mas entusiasmados com os sucessos de Hitler, passaram a conspirar com os militares e com o apoio dos regimes fascistas (a Alemanha de Hitler, a Itália de Mussolini e Portugal de Salazar), acreditando que um levante dos quartéis, seguido de um pronunciamento dos generais, derrubariam facilmente a República. Entretanto, nas principais cidades, Madri e em Barcelona, capital da Catalunha, o povo saiu às ruas, levando o golpe ao insucesso. Foram formadas milícias anarquistas e socialistas para resistir ao golpe militar. Com o fracasso, o conflito tornou-se guerra civil no dia 18 de julho de 1936, quando o exército insurgiu contra o governo da Segunda República Espanhola.

 

Além dos ataques que arrasaram Guernica, os bombardeios mais virulentos foram realizados sobre a cidade de Barcelona pela aviação italiana e alemã, que provocou um grande massacre da população civil, que também serviram de experiência para os bombardeios que a Europa sofreu na Segunda Guerra Mundial.

 

Fator decisivo para a vitória do general Franco foi a unidade que conseguiu impor sobre as direitas e a superioridade militar. Em pouco tempo, a Espanha foi dividida em duas facções, a zona nacionalista, dominada pelas forças do General Franco, e outra, a zona republicana, controlada pela esquerda. Nas áreas desta segunda, houve uma revolução social: terras foram coletivizadas, as fábricas e os meios de comunicação tomados pelos sindicatos.

Em algumas localidades, os anarquistas chegaram a abolir o dinheiro. Em 1938, com o país dividido pelas forças franquistas em duas partes, a Catalunha foi isolada do resto do país. No dia 26 de janeiro de 1939 as tropas franquistas tomaram Barcelona e, no dia 28 de março, Madri se rendera aos franquistas, após ter resistido por quase três anos a poderosos ataques aéreos, de blindados e de tropas de infantarias.

O clima entre os civis

Os conflitos, batalhas e guerras envolvem estratégias organizacionais e militares que acometem a todos, indistintamente. A população civil é a primeira a ser atingida e violentada nas suas atividades cotidianas e convicções, correndo riscos pessoais, em nome daqueles que tem o poder de decisão do confronto bélico ou dos acordos, da guerra ou da paz, e da vida ou da morte de milhares de pessoas.

 

Soldados lealistas ensinam prática de alvo para as mulheres contra as tropas rebeldes do general Francisco, junho de 1937

 

Homens, mulheres e jovens são arregimentados, convocados, ou mesmo, arrebatados pelo entusiasmo para as frentes de batalha para lutar por uma causa, por vezes, que não são as suas. Dão o seu sangue, defendem a sua terra, enfrentam perigos e momentos de terror, veem com seus próprios olhos companheiros tombando ao seu lado – sem saber se serão os próximos –, são levados para longe das suas casas e famílias, e, bruscamente, veem-se em situações inimagináveis e fora do controle. As circunstâncias dramáticas, em condições extremas, levam pessoas ao desespero: à luta pela própria vida; à busca por qualquer tipo de alimento, para apaziguar a fome; à busca por notícias, para apaziguar as incertezas e as saudades; à busca de companheiros e de afeto, para apaziguar a solidão e o medo da morte.

 

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Adaptado do texto “A guerra que mudou a Europa”

Apesar de parecer lenda, esse episódio aconteceu de fato e foi amplamente documentado por autoridades locais, igrejas e médicos da época

O ano, 1518. A cidade, Estrasburgo, Alsácia, ainda parte do Sacro Império Romano – atualmente França. A desencadeadora? Uma mulher chamada Frau Troffea que, em meados de julho, saiu pelas ruas, dançando loucamente, sem esboçar nenhuma expressão de prazer. Contudo, seus gestos compassados se tornaram responsáveis por um dos fatos mais bizarros da história: a epidemia de dança.

 

Em seis dias de atividade quase que ininterrupta, em meio a desmaios rápidos de exaustão e retorno imediato aos movimentos, Frau morreu, provavelmente, com os sapatos encharcados de sangue. Algumas versões do episódio dizem que, após esse tempo, ela foi levada para um santuário de cura, mas não há provas sobre isso, principalmente porque nem mesmo um maratonista teria um preparado físico tão grande para aguentar tamanha empreitada. De qualquer forma, o curto período de tempo foi suficiente para contagiar outros habitantes da cidade, que também aderiram à dança. Documentos mostram que, em uma semana, já havia 30 deles fazendo passos cadenciados nas ruas de Estrasburgo. Em cerca de 30 dias, o número de participantes do estranho episódio, que se desenrolou debaixo do sol de verão do Hemisfério Norte, aumentou para cerca de 400 pessoas.

Mais detalhe sobre a A Dança da Morte

Diante da situação inusitada, tanto as autoridades locais quanto os médicos diagnosticaram “sangue quente”. Mas em vez de prescreverem, como era de costume, sangria para minimizar o problema coletivo, eles optaram por estimular a dança como forma de cura. Para tanto, eles contrataram músicos, improvisaram palcos e convidaram dançarinos especializados para auxiliar os contagiados, que continuavam dançando involuntariamente, apesar do desespero estampado em suas faces e dos pedidos de ajuda para que pudessem cessar com os movimentos corporais.

O resultado do tratamento foi trágico. Segundo relatórios médicos, muitas pessoas morreram de desidratação, exaustão, ataques cardíacos e derrames. Lendas dizem que os poucos sobreviventes – se é que houve algum – foram colocados a bordo de vagões e encaminhados para santuários de cura. Depois de quase dois meses de loucura, a tal epidemia começou a retroceder.

 

Embora curioso, o evento de Estrasburgo não foi o primeiro da História – problema idêntico já tinha ocorrido no século 12. Mas, desde então, algumas hipóteses foram levantadas para explicar o fenômeno. Entretanto, a maioria delas acabou descartada.

 

 

Hipóteses, apenas hipóteses…

Entre as especulações, uma que perdurou bastante tempo sugeriu que o evento estava associado ao possível consumo e um fungo altamente alucinógeno que crescia em meio ao centeio. Porém, se a explicação fosse realmente essa, de acordo com especialistas, o estado de alucinação não teria durado tantos dias.

 

Outra suposição, provavelmente levantada por seguidores da religião oficial, dizia que os dançarinos eram adeptos de uma seita herética. No entanto, quando os documentos da época começaram a ser analisados, ficou claro que os dançarinos estavam visivelmente perturbados.

 

O certo é que por 490 anos o episódio ficou sem uma explicação lógica. Mas, em 2008, o historiador John Waller, da Universidade de Michigan (Estados Unidos), descobriu certa ligação entre as epidemias que tinham acontecido ao longo da história e o possível motivo da dança da morte de Estrasburgo.

 

 

Uma elucidação mais plausível

Segundo Waller, a dança da morte e outras epidemias semelhantes sempre ocorreram após grandes provações, desastres naturais, pestes etc. Ao vivenciar tais situações, as pessoas ficavam – e ainda ficam – psicologicamente afetadas.

 

No caso da epidemia de 1518, uma série de doenças, como varíola, sífilis, lepra e até uma nova enfermidade conhecida como suor inglês (doença respiratória epidêmica, provavelmente causada por um hantavírus, que matou cerca de 3 milhões de pessoas somente na Inglaterra entre 1485 e 1551, enquanto fazia milhares de vítimas por toda Europa) havia varrido a região. Além disso, ainda havia a fome que levou muitos à mendicância e uma antiga lenda cristã sobre São Vitor (também chamado de São Vito ou São Guido), um siciliano martirizado em 303 d.C., que, caso fosse provocado, jogaria pragas no povo, entre as quais uma para que as pessoas dançassem compulsivamente até a morte.

 

Como todos esses fatores eram estressantes demais para qualquer ser humano já fragilizado, após estudar os registros históricos, notas médicas, sermões da igreja, crônicas locais e regionais e até mesmo comunicados emitidos pelo conselho da cidade de Estrasburgo, o historiador chegou à conclusão de que houve uma histeria em massa que levou muitos à morte.

 

 

Doenças sociais

Embora o episódio da dança contínua pareça muito estranho, durante o período medieval, houve pelo menos sete outros casos de histeria coletiva na mesma região. Depois, já em 1840, o evento se repetiu em Madagáscar (ilha africana). Em janeiro de 1962, na Tanzânia (pais da África Oriental), deu-se uma nova epidemia, dessa vez, de riso, que se prolongou por 18 meses (no início, as crianças começaram a rir sem motivo aparente na escola, depois contagiaram os pais, os vizinhos e, em pouco tempo, milhares de pessoas já estavam rindo, em meio a dores, dificuldades respiratórias e ataques de choro).

Todos esses casos forneceram subsídios para Waller fundamentar sua tese, que resultou em um livro de 276 páginas, intitulado A Time to Dance, a Time to Die: the Extraordinary Story of Dance Plague of 1518, publicado em 2008 (ainda sem tradução para o português). No entanto, conforme afirma o médico epidemiologista Timothy Jones,  professor clínico assistente de medicina preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de Vanderbilt  (Nashville, Tennessee, Estados Unidos), os surtos de doenças psicogênicas são suscetíveis de serem comuns e muitos passam despercebidos. Dúvida dessa informação? Então, preste atenção em alguns casos ocorridos no fim do século 20 e no início do século 21:

 

  • Região do lago Tanganyika, Tanzânia, África, 1963: diversas garotas de um internato começaram a alternar riso e choro histericamente. Em pouco tempo, 95 das 159 alunas tinham sido atingidas pela praga e a escola teve que ser fechada. Enviadas de volta para seus vilarejos, elas espalharam a epidemia entre outras crianças e adultos, que começaram a rir descontroladamente. Apesar de períodos curtos de calmaria, o problema durou quase oitos meses. Exames de sangue e análises microscópicas não apontaram uma causa biológica para a síndrome que, curiosamente, não atingiu adultos alfabetizados.

 

  • Ilha de Colares, Pará, Brasil, 1977: quase no fim do ano, surgiram relatos sobre luzes vindas do espaço para sugar o sangue humano. Os moradores locais ficaram impressionados e, rapidamente, surgiram várias pessoas que começaram a dizer que haviam sido perseguidas. Entre elas, mais de 80 reportaram sequelas físicas do que seriam ataques de ETs. A Aeronáutica destacou oficiais para investigar o caso que, quatro meses depois, foi encerrado.
    • Melbourne, Austrália, 2005: em 21 de fevereiro, uma funcionária do aeroporto local desmaiou, junto à escada rolante. Em seguida, outras duas mulheres também desfaleceram. O ar-condicionado foi desligado por medo de um atentado com gás, mas não adiantou nada. Mais pessoas passaram mal e 57 foram levadas para o hospital. Porém, não foi detectada nenhuma ação de agente tóxico. No fim do dia, o mistério foi revelado: uma parede e um poste pintados recentemente exalavam cheiro de tinta fresca. Ambos fizeram com que as primeiras mulheres tivessem enjoo. Posteriormente, os discursos que se seguiram de boca em boca enfatizavam gás tóxico, perigo, química, entre outras preposições. Portanto, o disse me disse foi suficiente para induzir uma descompensação coletiva.

     

    • Cidade do México, México, 2006: o surto se iniciou em outubro e atingiu meninas de um internato católico que, ao mesmo tempo passaram a ter fraqueza, dificuldade de locomoção, febre, náuseas e desmaios. No retorno das férias, o mal se espalhou ainda mais. No total, 600 das 3600 internas tiveram sinais da doença que, segundo as autoridades, não tinha nenhuma causa orgânica.

     

    • Itatira, Ceará, Brasil, 2010: no início  de junho, após uma suposta visão de um colega morto, dezenas de jovens começaram a passar mal em uma escola. Entre eles, muitos entraram em transe e tiveram que ser levados para o hospital.
      • Zimpeto, Maputo, Moçambique, 2010: entre maio e junho, 71 alunas da Escola Quisse Mavota perderam os sentidos durante as aulas. Em um único dia, foram 25 casos. As primeiras hipóteses levantadas pela direção do colégio foram anemia ou desnutrição. Mas, desde o início, o Ministério da Saúde sustentava ser algo psicológico. De acordo com o que a psiquiatra Lídia Gouveia (na época, diretora da Seção de Saúde Mental) disse na ocasião, “o quadro de medo e de ansiedade [das meninas] é muito marcante. O que elas têm, realmente, são manifestações de pânico”. Ainda segundo a médica, em vários casos não houve sequer desmaio, mas apenas a perda momentânea dos sentidos. Apesar desse episódio, na África, epidemias semelhantes são bem comuns. Na foto, por exemplo, 50 alunas da escola do primeiro ciclo Gabriel Kwanhama desmaiaram em julho de 2011 sem explicação aparente.

       

      • Phu Yen, Vietnã, 2011: em dezembro, após a visão de um suposto fantasma no banheiro da escola Son Hoa, vários alunos começaram a desmaiar, momentos em que também diziam coisas ininteligíveis. Em apenas uma noite, 12 deles caíram inconscientes ao mesmo tempo.

       

      De certa forma, todos esses exemplos compartilham determinados aspectos: um relativo analfabetismo, pobreza e medo; superstições alimentadas por crenças populares; desinformação; e até confinamento imposto (no caso dos internatos). Nesse contexto, impulsionados pela cultura local ou pela própria imaginação, pessoas ou grupos fechados ficam mais ansiosos, perdem o controle dos atos e das emoções, ressaltam os cinco sentidos e começam a apresentar sintomas físicos. A partir daí, eles provocam o chamado efeito dominó na coletividade, que também passa a fazer, ver, sentir e vivenciar o mesmo acontecimento de forma irracional.

Um centro de educação e cultura voltado à reflexão, ao cruzamento de https://s3-media1.fl.yelpcdn.com/bphoto/0cR926IzCxeB77qjH0OgHg/ls.jpgdisciplinas e ao prazer do conhecimento. Um espaço dedicado a pessoas que sentem necessidade de expandir o repertório cultural ou aperfeiçoar a formação profissional, orientadas pelo rigor dos grandes especialistas. Com wireless disponível em todos os ambientes, é também opção para a realização de eventos culturais. O local escolhido, a Vila Madalena, é bem abastecido de transporte coletivo, oferece boas opções de atividades de cultura e lazer e é conhecido pela livre circulação de ideias.    CULT MOSTRA Espaço de integração destinado a exposições de arte.
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NÚCLEO DE ALTOS ESTUDOS Dedica-se ao exame crítico de temas ligados ao mundo da arte, comunicação, cultura, educação e filosofia. É estruturado para atender àqueles que têm sólida formação cultural e desejam ampliar seus conhecimentos. Seus cursos, seminários e conferências são ministrados por mestres brasileiros e estrangeiros de notória carreira acadêmica. Pela natureza de suas atividades, pretende possibilitar aos frequentadores oportunidades de contato direto com pesquisadores, docentes e pensadores com ideias e propostas relevantes para a compreensão do mundo e para o desenvolvimento sociocultural do país.

O Núcleo de Altos Estudos é um novo centro de debates e pesquisa em São Paulo. Procura fornecer espaços de visibilidade e trabalho para intelectuais consagrados, assim como expoentes da nova geração e terá, como uma de suas atividades, a organização de simpósios sobre temas maiores para o pensamento contemporâneo.
NÚCLEO DE COMUNICAÇÃO Com programação destinada à instrumentalização e à especialização profissional, o Núcleo de Comunicação oferece cursos, palestras e oficinas com o objetivo de capacitar os alunos para o exercício do jornalismo e de relações públicas em vários segmentos. Os palestrantes são professores das melhores instituições de ensino do país e editores com sólida carreira jornalística. Sua programação é especialmente elaborada para estudantes e graduados interessados em aperfeiçoamento.
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Dando prosseguimento às listas criadas pelo Blog “TVxTV”, hoje é o dia de apresentarmos os 10 Melhores Atores Brasileiros de Todos os tempos. Essa lista não foi das mais difíceis de se fazer, porém temos alguns nomes que são considerados surpresas e atores da nova geração, o que pode tornar a lista mais polêmica. Confira:

10 – Marco Nanini – 1948

Falar de um ator que faz sucesso há quase 10 anos num formato que nunca foi o de maior sucesso na TV brasileira, que são as séries, já por si só é falar de um ator talentoso. Assim é Marco Nanini.
Ele começou sua vida profissional no teatro e, segundo ele próprio afirma, se apaixonou pela arte da interpretação e ali, muito jovem, decidiu que não mais iria abandonar esse trabalho. Nanini é um dos ícones da TV, tendo trabalhado praticamente desde a chegada da televisão no Brasil e um dos atores de maior sucesso na extinta TV Tupi.
Mesmo sendo apaixonado pelos palcos, Marco Nanini ficou nacionalmente conhecido mesmo pela TV, com papéis incríveis e atuações que beiram a perfeição em inúmeras novelas, o ator ganhou o respeito de autores, diretores e colegas de profissão que sempre o consideraram um exemplo na arte da interpretação.
Nanini tem um jeito diferente de atuar da maior parte dos atores, ele cria um perfil simples para seus personagens o que sempre o afasta da caricatura e o aproxima muito com os telespectadores, talvez por isso seja tão querido entre o povo brasileiro.
Só na TV Globo, Nanini fez 14 novelas até o ano de 1999, como Elas por Elas, Brega e Chique e Pedra sobre Pedra, este último talvez o maior sucesso entre as novelas do ator e que o fez ganhar inúmeros prêmios naquele ano. A última novela de Nanini foi em 1999, quando ele protagonizou a excelente novela das 7 Andando nas Nuvens, criando um dos personagens mais divertidos da década de 90.
Nanini também fez muito cinema, foram mais de 30 filmes que consolidaram sua carreira como ator de cinema, que ele também afirma gostar muito.
A partir de 2001 Marco Nanini estreou a nova versão de A Grande Família, seriado de humor de muito sucesso na década de 70. Ao lado de Marieta Severo e grande elenco, Nanini roubou a cena no papel do tinhoso Lineu Silva. A série fez tanto sucesso que mudou os planos da emissora. A idéia inicial era uma temporada só, curta, e o resultado está aí, até hoje na programação global.
Com tantos prêmios, tantos bons trabalhos e reconhecimento de todos, Marco Nanini é um ícone da interpretação no Brasil e por isso abre nossa lista em 10º lugar.

9 – José Wilker – 1944

Locutor de rádio, ator, autor, diretor, crítico de cinema, defensor da liberdade de expressão, ferrenho defensor do cinema nacional e grande, grande ator. Este é José Wilker.
A maior parte do público o conhece por seus inúmeros trabalhos na TV, mas o que não se sabe é que Wilker na verdade detesta a televisão. Ele já afirmou em diversas oportunidade que somente faz TV porque precisa sobreviver e no Brasil um ator não sobrevive sem trabalhos televisivos. Sua praia – como ele mesmo frisa – é o cinema, em que já fez mais de 50 filmes como ator e diretor e sempre busca aumentar esse cast.
Seu mais recente trabalho no cinema, O Bem Amado é considerado um grande filme por parte da crítica, mas não teve grande aceitação do público que preferiu a obra como novela, isso provocou muita revolta no ator que diz ser incomparável um trabalho no cinema com o da TV.
Na TV seria impossível definir qual o principal trabalho de José Wilker. Muitas pessoas consideram que seu principal papel foi de Luis Roque Duarte, o Roque Santeiro, na novela homônima considerada um dos maiores sucessos de todos os tempos na TV brasileira. Outro consideram sua participação em A Próxima Vítima na pele de Marcelo Rossi como uma grande composição. E os mais jovem dizem que, não há dúvidas que um dos melhores trabalhos de composição artística de José Wilker foi em Senhora do Destino, ao viver o ex-bixeiro Giovani Improta.
Seu último trabalho foi em Três Irmãs, quando viveu o papel de Francisco Macieira e fez inúmeras críticas a novela e ao personagem, chegando dizer que nem se lembrava de estar nessa novela.
José Wilker é também considerado um dos principais diretores da TV, tendo dirigido o inesquecível Sai de Baixo, da Rede Globo. Com tantos trabalhos bons, José Wilker sempre figura na lista de melhores atores do Brasil e para o blog ele é o 9º

8 – Rodrigo Santoro – 1975

Um ator com carreira sólida em seu país. Considerado um dos principais galãs de telenovelas e com uma carreira promissora pela frente. Ninguém tinha dúvidas que Rodrigo Santoro protagonizaria uma série de novelas na década de 2000. Todos, menos ele.
O ator se mostrou ousado ao abandonar toda essa estabilidade em prol de uma carreira internacional, deixando de lado a TV e partindo em busca de trabalhos no cinema de Hollywood. Essa escolha fez com que Santoro fosse, talvez, o ator mais zombado de todos os tempos entre os brasileiros.
Os motivos da zombaria certamente ficam por conta de sua participação no filme As Panteras em que o ator aparece, mas não tem uma única fala. Bobagem, pois todo e qualquer ator começou a carreira com papéis pequenos.
Aos poucos Santoro foi conquistando a crítica americana e os brasileiros acabaram percebendo que o país tinha um grande ator como seu conterrâneo, e a zombaria diminuiu bastante.
Ele começou sua carreira na TV e tem algumas novelas em seu currículo, como a excelente Olho por Olho e também em Mulheres Apaixonadas. Mas seu principal papel na TV brasileira foi em Hilda Furacão, quando o ator interpretou o ingênuo Frei Malthus, papel que lhe rendeu muitos prêmios e ótima crítica.
Ainda no Brasil, é preciso destacar sua participação na microssérie Hoje é Dia de Maria em que o ator viveu o personagem Dom Chico Chicote e emagreceu mais de 10 quilos para interpretar o papel.
No cinema, sucessos nacionais como O Bicho de Sete Cabeças e Carandiru o levaram para os EUA e lá fez filmes como As Panteras, Che, Post Grad e o seu maior sucesso que lhe rendeu prêmios e uma pré-indicação ao Globo de Ouro, 300, quando Santoro interpretou Xerxes de forma brilhante.
O ator ainda tem em seu currículo ter trabalhado na mais conhecida série em todo o mundo. Na 4ª temporada de Lost, Rodrigo Santoro viveu o papel do brasileiro Paulo, um dos sobreviventes. O papel não decolou e os produtores mataram o personagem e sua namorada Nikki, mas ambos tiveram um episódio especial centrados em si.
Por todas essas conquistas, essa ousadia e ter coragem de deixar seu país para correr atrás do sonho e realizar trabalhos com competência, Rodrigo Santoro aparece em 8º lugar na nossa lista de melhores atores nacionais.

7 – Osmar Prado – 1947

Um ator que sabe se despir de si mesmo na composição de um personagem. É assim que os diretores de TV gostam de definir Osmar Prado, um dos principais nomes da Rede Globo e que gosta de fazer novelas.
Prado já disse mais de um vez que seu forte é o trabalho na TV, em que ele se destaca, se identifica com o veículo e com a forma de se atuar, por isso prefere fazer novelas a fazer filmes.
São mais de 20 novelas desde que começou em 1965 na novela Ilusões Perdidas em que fez apenas uma ponta. Desde então Osmar Prado não parou mais de fazer televisão e viu seus papéis irem crescendo conforme ele tinha oportunidade de mostrar seu talento para diretores, autores e também ao público.
Em 1976 o ator teve seu primeiro destaque no país ao encarnar Getúlio na novela Anjo Mau e conquistar o país por sua interpretação forte, seu jeito de dominar as câmeras e roubar as cenas. Ainda na década de 70, 1979, outro trabalho de destaque. Pai Herói, considerada ainda hoje uma das melhores novelas do Brasil teve Osmar Prado no elenco vivendo Pepo e emocionando os telespectadores.
Osmar Prado também é lembrado por sua interpretação em Mandala, no papel de Gérson, o ator mostrou todo seu talento em cenas fortes, ousadas e muito bem escritas.
Poucos atores tem a felicidade que Prado teve. Em 4 anos, 4 novelas e 4 papéis muito elogiados. 1992 em Pedra sobre Pedra, viveu Sérgio Cabeleira, 1993 foi a fez de interpretar Tião Galinha, que muitos consideram seu principal papel até hoje em Renascer. Em Éramos Seis, novela de 1994 ele viveu Zeca e deu show de interpretação e em 1995 no papel de Clóvis de Sangue do meu Sangue Osmar venceu vários prêmios.
De lá pra cá são muitos trabalhos e muitos destaques, o que comprova o talento do ator. Seu mais recente trabalho foi em Caminho das Índias no papel de Manolo, Osmar Prado arrancou muitas risadas do público.
Com essa carreira de respeito, Osmar Prado é tido como um dos grandes atores do país e aparece em 7º lugar da nossa lista.

6 – Selton Melo – 1972

Novamente um ator da nova geração. E um ator que também desafiou os costumes da interpretação no Brasil ao abandonar – ao menos por um longo tempo – os papéis em novelas, preferindo atuar no cinema e nas séries. Este é Selton Melo.
O ator é tido por praticamente todos os críticos como o melhor ator de cinema atualmente no Brasil e, já é muito respeitado fora do país, tendo recebido alguns prêmios por seus trabalhos no cinema.
Mas Selton Melo já fez muita novela, principalmente na década de 90, quando mesmo jovem, já tinha seu talento despontando e mostrava que seria um dos principais atores do país. O ator explodiu no Brasil na novela Pedra sobre Pedra, ao interpretar Bruno, papel pequeno e que ganhou destaque graças a interpretação brilhante de Melo. Em seguida, em 1993, ele estava em Olho por Olho e roubou a cena vivendo Juca e já fazendo a crítica se derreter com sua atuação. Em Tropicaliente, Selton Melo mostrava que sabia compor muito bem seus personagens ao dar vida a Vítor Velásquez. É incrível como até mesmo em novelas Selton Melo só fez papéis de destaque e com ótimas críticas, como em A Próxima Vítima, a Indomada e Força de um Desejo.
No cinema, o ator tem sua carreira solidificada. Ele mesmo diz ser um apaixonado por cinema e preferir cinema a TV. Uma de suas principais atuações foi logo entre as primeiras, em O Auto da Compadecida, Selton foi Chicó e roubou a cena, sendo considerado pela crítica a principal atuação de humor da história do cinema nacional, o que não é pouca coisa.
Filmes como Lisbela e o Prisioneiro, Caramuru – a invenção do Brasil e Lavoura Arcaica serviram para consolidar a carreira do ator no cinema. Para em seguida ele estar em grandes filmes como Meu Nome não é Jhonny e Os Desafinados.
Em 2009, o ator pôde ser visto em dois filmes, sempre como protagonista. Em Mulher Invisível e Jean Charles, Selton Melo empresta seu talento aos personagens e faz grandes trabalhos, nos dois filmes o ator já foi premiado, inclusive internacionalmente e muita gente considera que é questão de tempo, para Selton Melo chegar aos grandes prêmios do cinema mundial.
Com esse talento e essa capacidade de atuar, seria impossível deixar Selton Melo de fora duma lista de melhores atores, por isso o blog o elegeu o 6º melhor ator brasileiro.

5 – Tony Ramos – 1948

Ninguém sabe criar tipos como ele. Ninguém sabe se despir de um personagem e se vestir em outro completamente diferente e tão rápido como ele. Este é Tony Ramos, talvez o principal nome das telenovelas brasileiras desde sempre.
O ator nunca escondeu sua paixão pela TV. Não é de trabalhar frequentemente no teatro, onde diz não dominar o palco como domina as câmeras de TV. É praticamente uma Glória Pires versão homem, ou seja, se identifica demais com as telenovelas e não consegue deixar de faze-las. Se for feita uma pesquisa, é bem possível que se descubra que Tony é o ator que mais faz novelas no Brasil.
Que ator no mundo pode dizer que estourou em sucesso no seu primeiro papel? Poucos, e Tony Ramos pode, quando interpretou em 1965 Vevé em A Outra, novela da extinta TV Tupi.
Depois disso, praticamente todos os anos os telespectadores viram Tony Ramos em alguma novela, em algumas vezes em mais de uma novela por ano, feito para poucos atores do país.
Na Rede Globo, seu primeiro sucesso foi em O Astro, no papel de Márcio Hayala, sendo muito elogiado na época. Depois disso, Tony Ramos esteve em quase todos os grandes sucessos da TV: Pai Herói, Baila Comigo, Selva de Pedra, Bebê a Bordo, Rainha da Sucata, Felicidade, Olho no Olho, A Próxima Vítima, Torre de Babel, Laços de Família, O Clone.
Os autores globais já sabem, se em sua novela houver um personagem que precisa criar um tipo, chamem Tony Ramos. Ele faz isso com maestria, como o fez na novela Cabocla, ao interpretar o divertido Boanerges, ou então em Belíssima ao viver o desajeito Nikos Pretrakis. Seu mais recente trabalho na TV foi também um tipo, Opash Ananda, na novela Caminho das Índias, fez grande sucesso junto ao público.
Com um currículo desses seria impossível deixar Tony Ramos de lado numa lista séria, por isso ele aparece como o 5ºmelhor ator brasileiro da história.

4 – Lima Duarte – 1930

Ele nasceu ator. Está no sangue, um talento inato e que poucas pessoas podem dizer que tem. Essa é a definição de um diretor global a Lima Duarte, um dos principais atores brasileiros em todos os tempos.
Lima Duarte tem a honra de dizer que faz novela desde muito tempo, quando elas ainda eram ao vivo na TV, na década de 50 e o ator tinha que mostrar um talento ainda maior, pois não poderia ter erro e ali ele já mostrava toda sua capacidade brilhante de interpretação.
Fazer sucesso numa telenovela antes da década de 70 não é fácil e ser lembrado ainda hoje por essa novela é mais difícil. Lima Duarte foi o principal nome da novela que assombrou o país e mudou os moldes de se fazer novela no Brasil. Beto Rockfeller marcou a história do país e colocou Lima Duarte entre os principais nomes de atuação, com a crítica se rendendo a seu talento e os telespectadores ficando pasmos com sua capacidade de atuar.
E ele continuou assombrando a todos com seu talento, sempre interpretando papéis fortes e com grande carga emotiva, como em O Bem Amado ao viver Zeca Diabo, considerado ainda hoje um de seus principais personagens. Em 1979 estava lá, Lima Duarte em Pai Herói para novamente fazer parte do elenco que mudou a forma de se fazer e ver novela.
A década de 80 colocou Lima Duarte como o principal ator do país ao interpretar dois papéis inesquecíveis. Em 1985 em Roque Santeiro, Lima atuou brilhantemente como o Sinhozinho Malta e ganhou a paixão incondicional do povo brasileiro. Quatro anos depois estava ele novamente encantando o país ao viver Sassá Mutema em O Salvador da Pátria.
Sempre fazendo novelas e muitas, como Pedra sobre Pedra, Fera Ferida, A Próxima Vítima, A Indomada e Belíssima, o ator ganhou inúmeros prêmios ao longo da carreira e tem milhares de fãs espalhados por todo o Brasil.
Seu mais recente trabalho também foi Caminho das Índias, quando interpretou Shankar e emocionou os telespectadores em algumas cenas ao lado de Laura Cardoso, outro monstro sagrado.
Por ser tudo o que é, praticamente a História da TV é que Lima Duarte não pode ser deixado de lado e aqui, está em 4º lugar.

3 – Antônio Fagundes – 1949

Um homem que só no Brasil recebeu mais de 100 prêmios ao longo da carreira. A pessoa calma e que quando interpreta parece que sofre uma mutação completa. Esse é Antônio Fagundes.
Começou para a TV em 1968, um pouco mais tarde que seus colegas da mesma geração, mas mostrou logo seu talento numa pequena ponta que fez em Antônio Maria. Depois disso recebeu mais convites e teve papéis maiores, mas nada se comparado ao seu trabalho de 1973 que o colocou na lista dos principais nomes da TV na época. Na primeira versão de Mulheres de Areia, Fagundes foi Alaor e conquistou os telespectadores com sua atuação firme.
No ano seguinte, um papel completamente diferente e que levou as mulheres ao delírio. Na novela O Machão, ele foi Petruchio e provocou risos com uma interpretação considerada na época como das mais brilhantes.
Ainda na década de 70, Fagundes recebeu o título de garanhão do país ao atuar na novela Saramandaia interpretando Lua Viana. Em seguida, em 78 ele esteve no elenco de Dancing Days como Cacá e colaborou com a novela que parou o Brasil na época.
Seria difícil definir qual o melhor trabalho de Antônio Fagundes devido a grande quantidade de papéis considerados acima da média, sempre graças a sua brilhante interpretação. Novelas como Corpo a Corpo, Vale Tudo, Rainha da Sucata, Renascer, A Viagem e o Rei do Gado marcam a carreira do ator que é um dos nomes mais lembrados pelos telespectadores.
Fagundes além de novelas, se destaca também com séries, como em Carga Pesada, em que ele interpretou por muitos anos o caminhoneiro Pedro e também em Labirinto, uma das principais séries da TV em que ele foi Ricardo Velasso. As crianças da década de 90 também tem um carinho especial por Antônio Fagundes, pois ele viveu Rogério Silva na série infantil mais cultuada pela geração anos 90, Mundo da Lua.
Seu mais recente trabalho foi na novela Duas Caras, interpretando o líder Juvenal Antena e criando tipo, alegrando os telespectadores e presentando-nos com mais uma ótima atuação e com tantas atuações brilhantes, nada mais justo que Antônio Fagundes seja eleito o 3º melhor ator brasileiro em todos os tempos.

2 – Paulo Autran – 1922 – 2007

Um dos principais nomes da interpretação brasileira e que não é conhecido do grande público, simplesmente porque optou desde muito tempo a não trabalhar na TV, mas permanecer com sua grande paixão, o teatro. Assim se define Paulo Autran.
O ator encenou ao longo de sua vida mais de 100 peças teatrais e é considerado pelos críticos como o mais completo ator de teatro no Brasil em todos os tempos, dominando os palcos com uma maestria poucas vezes vista ao redor de todo mundo. Autran decidiu que se dedicaria ao teatro e cumpriu seu desejo ao recusar centenas de ótimos papéis na TV, afirmando que fazer novela não era seu forte e que os papéis desse tipo não permitiam que o ator criasse, ficando preso pelas câmeras.
No teatro ele já interpretou grandes nomes conhecidos no mundo, como Otelo, Hamlet, Dom Juan, entre tantos outros. Mas a crítica é praticamente unânime ao afirmar que ninguém no Brasil interpretou Otelo com a maestria de Paulo Autran que criou nuances nunca antes visto na criação desse personagem, tornando-o ainda mais rico do que ele já era.
Paulo Autran também fez cinema, pouco, mas fez. Seu principal filme foi Fogo e Paixão de 1988 em que ele foi elogiadíssimo pela crítica, mas logo frustrou a todos ao abandonar também o cinema. Seu último filme foi uma pequena participação em O Ano em que meus pais saíram de férias.
Autran poderia facilmente se gabar de ser um ator que praticamente não fez televisão e ainda assim esteve numa das principais novelas de todos os tempos que mudou a forma de se fazer novela de humor. Em Guerra dos Sexos, ao lado de Fernanda Montenegro, Autran protagonizou as cenas mais divertidas e bizarras da história da TV, como a inesquecível cena da guerra de doces em que ele e Montenegro sujam um ao outro com a comida do café da manhã.
Paulo Autran nos deixou em 2007, mas ainda hoje é lembrado com carinho e respeito pelos fãs e por sua obra ele aparece como o segundo melhor ator brasileiro de todos os tempos.

1 – Raul Cortez – 1932 – 2006

Um ator que faz tudo o que se propõe com maestria. Um homem que ultrapassa o limite do incrível quando atua. Essas são as definições de diretores e colegas de elenco a Raul Cortez.
Cortez também começou no teatro, assim como Paulo Autran e resistiu bastante para aceitar trabalhar na TV, para ele, cinema e teatro eram formas muito melhores de se trabalhar a arte da interpretação. Nos anos de 50 e 60 o ator era sempre visto nos filmes e peças, de todos os tipos, desde romances quentes até filmes quase religiosos e regionais, também em peças épicas, o que mostrava sua capacidade de atuação.
Mas no fim da década de 60, Raul Cortez se rendeu a insistência de todos e aceitou trabalhar na TV, foi para nunca mais sair. Paixão a primeira vista como ele mesmo gosta de definir.
Em 1970 ele esteve no elenco de Beto Rockfeller, o filme e assombrou o mundo com seu talento e sua capacidade de interpretação, muitos que o consideravam como ator apenas de teatro deram a mão a palmatória e se renderam a seu talento justamente nessa novela.
1976 foi o grande ano de Raul Cortez no cinema. Ele fez O Seminarista e foi tão elogiado pela crítica e por todos que disse ter ficado até constrangido diante de alguns colegas de elenco.
Na TV, ele esteve em grandes novelas, sempre com ótimas interpretações como em Xeque-mate, novela de 1976 e que consagrou Cortez como ator de TV. Mas foi no final da década de 80 que Raul Cortez passou a ser considerado um dos principais atores do país, por estar em três novelas e roubar a cena. Em 1987 em Brega e Chique ele conquistou todo o país, depois no mesmo ano, ele esteve em Mandala e mostrou todo seu talento. Em 1990, Cortez selou sua ótima fase na novela Rainha da Sucata.
Sempre teve ótimos trabalhos como Mulheres de Areia e Perigosas Peruas, mas ele mesmo sempre disse que sua melhor atuação, seu melhor papel e sua melhor novela foi O Rei do Gado, na pele de Geremias Berdinazzi ele encantou o país e fez praticamente toda a população parar para acompanhar a trama.
Em Terra Nostra, Cortez chocou o telespectador interpretando Francesco Maglianno e se envolvendo com uma mulher muito, muito, muito mais nova, interpretada por Maria Fernanda Cândido.
O ator faleceu em 2006, deixando uma lacuna que nunca será preenchida novamente na TV brasileira. Mesmo assim, ele tem tantos trabalhos que é inesquecível e foi eleito pelo blog como o melhor ator brasileiro de todos os tempos.

Duas antologias participam da festa literária: uma de moradores do Calabar e http://2.bp.blogspot.com/-h9-Y7qAC8kU/UUpnLFZDDeI/AAAAAAAAAK4/a6U2ezj8KE8/s1600/img.recantodasletras.net.jpegoutra com 122 poetas do mundo inteiro
Valdeck Almeida de Jesus participará

do 27º Salão do Livro e Imprensa de Genebra (Suíça) e vai lançar, no estande D426, do Varal do Brasil, dentre outros, os livros “Abre a Boca, Calabar” (Capa: Carlos Conrado Spykezem) e “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus – 2012″, com capa de Nilda Lima Graeser. O Salão do Livro acontece no Palexpo, de 1º a 5 de maio de 2013, das 9 às 19 horas, e reúne literatura e imprensa do mundo inteiro. O convite foi feito pala escritora Jacqueline Aisenman, que participa da feira pela segunda vez com um estande da Editora Varal do Brasil. Jacqueline é brasileira e mora em Genebra há mais de vinte anos, sempre envolvida com cultura e literatura. Além de expositora, ela também promove a revista eletrônica Varal do Brasil – literário sem frescura!, que divulga milhares de escritores.A nova edição do livro “Abre a Boca, Calabar” (Pimenta Malagueta Editora), resultado do concurso literário realizado pela Biblioteca Comunitária do Calabar, foi lançada em 2012 na sede da instituição, em Salvador-BA. Nas edições de 2009 e 2010, o projeto foi idealizado e patrocinado pelo jornalista e escritor Valdeck Almeida de Jesus, que continua incentivando a iniciativa. Em 2012 a publicação recebeu apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), por meio do edital Calendário das Artes. A obra prestigia jovens do bairro Calabar e reúne os 50 autores que participaram das edições anteriores.

Escritores do livro

A edição de 2012 tem poemas de: Amanda Beirão, Ariana Santos Veloso de Jesus, Bruna Santos de Jesus, Caique Neri Brito, Caissa Pita Vasconcelos, Cauan Roque Almeida dos Santos, Crislanda Neves, Eberton de Jesus, Ester da Silva Moraes, Fabio Neves Conceição, Felipe Silva Beirão, Gilson Assis, Iradir Pereira da Silva, Isla Gabriele Santos de Oliveira, Janaina Bonfim dos Santos, Joyce Regia Dias da Silva, Julia Reis Bispo dos Santos, Jussara dos Santos, Kevin Carvalho dos Santos, Keyla Trigueiros Rodrigues dos Santos, Leonardo Conceição, Lucas Santos da Silva, Lucilene Lima Pires, Luís Henrique Beirão Santos, Luís Maurício dos Reis Soledade, Marcos Peralta, Joara Ledoux, Marcos Vinicius, Maria do Carmo Abade Bento, Maria Luiza Lacerda, Mel Oliveira, Milena Borges dos Santos, Nadson Almeida Beirão, Nicolas Dias da Silva, Nubia Trigueiros Rodrigues, Rafael Beirão Dantas, Rafaela Beirão Dantas, Raiane Beirão Dantas, Rayla Bispo Nascimento, Rebeca Trigueiros Rodrigues dos Santos, Robespierre Dantas, Rodrigo Rocha Pita, Samuel dos Santos Moraes, Tacila Cerqueira, Tainá Silva, Talita Trigueiros Rodrigues dos Santos, Tamires Araujo, Tarcisio Trigueiros Rodrigues, Tayná Trigueiros Rodrigues e Wesley dos Santos Lopes.PRÊMIO VALDECK ALMEIDA

O livro contém poemas de 122 poetas do mundo inteiro, a maioria de brasileiros que participaram do concurso “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus 2012″. A ideia do concurso surgiu em 2005, por iniciativa dO jornalista e escritor Valdeck Almeida, que escreve desde os 12 anos de idade e só conseguiu publicar o primeiro livro aos 39 anos. O projeto tem apoio do Plano Nacional do Livro e Leitura, que divulga a iniciativa no site oficial. O núcleo baiano da União Brasileira de Escritores-UBE, também dá apoio de divulgação ao projeto.A edição 2012 traz poemas de autores brasileiros e poetas do Japão, Suíça, Inglaterra, Estados Unidos e Portugal. Os dez primeiros colocados foram 1º – Vai, Carlos, vai ser Drummond na vida (Ana Claudia de Souza de Oliveira); 2º – Memórias póstumas de Quincas Borba (Edweine Loureiro); 3º – Vida dura (Éber Sander); 4º – Um desconhecido no canto da sala (Simone Pessoa); 5º – Um Brasil apaixonado por futebol (Arai Terezinha Borges dos Santos); 6º – Monólogo da solidão (Nubia Estela); 7º – Lembranças (Renata Paccola); 8º – Delírios de um Poeta em Desamor (Rossandro Laurindo); 9º – O devorador de livros (Ana Lucas); 10º – É assim, Fulano (Flávia Brito). Os jurados escolheram, também, menções honrosas: Incubus (Ana Claudia de Souza de Oliveira); Crônica de um Fygura (Nádia da Rocha Ventura); O amor de Cler (Expedita Gomes de Araújo); A cigarra e o poeta (Zelito Magalhães); O Macondo de Gabriel García Márquez (Viviana Carolina Mendez Rocha Podlyska); Copa 2014 no país de Jorge Amado (Terezinha Santos de Amorim); A Realidade (Sandro Sussuarana); A intenção (Osmar Santos); A Cidade dos Errados (Marcelo de Oliveira Souza); A menina do raio de sol (Mano Kleber). A lista completa de todos os selecionados está neste link do site Galinha Pulando.