Eu estou trabalhando muito.
Venho atendendo muitos pacientes todos os dias e casos cada vez mais complicados.
Semana passada fui no meu limite e sucumbi.
Precisava descansar urgentemente porque estava dedicando toda minha energia para o trabalho e problemas da casa e não sobrava nada para mim mesma.
Fui deixando de me cuidar, de fazer unhas, sobrancelhas, maquiagem, até escolher minhas roupas e minha dieta foram postas de lado.
Na sexta-feira fui trabalhar de moletom, tênis e óculos. Até as lentes de contato eram demais para mim.
O iPad chegou e eu estava cansada demais para ficar feliz.
Então, entrei no modo “descanso”, fazendo só o essencial e procurando repousar o máximo possível.
A gastrite, claro, voltou com tudo por causa da falta de cuidado ao me alimentar e engordei.
Ainda não descansei tudo que preciso mas a semana começou sem se importar com isso.
Me sinto melhor. Ainda não estou como quero mas me sinto melhor.
Estou escrevendo isso porque quero contar para vocês o que me motiva sempre procurar o melhor para mim, o melhor cuidado comigo.
A sensação de bem estar é muito grande quando estou bem de verdade e eu nunca desisto de perseguí-la.
Por isso, não importa o quão mal eu me sinta, o quão cansada ou sem energia. Eu sempre quero o melhor para mim e estou sempre disposta a recomeçar o caminho do bem estar. Sempre disposta.
E eu faço isso descansando, me poupando e aos poucos, conforme vou me sentindo melhor, reavendo minha vida como um todo, minha rotina e ações que me fazem sentir bem e melhor.
O truque é nunca desistir de ficar bem. E saber a hora de agir e a hora de se poupar.
Todo dia para mim é segunda-feira de começar regime.

Quem acompanha ou já acompanhou novelas da Globo, vai perceber que a tônica da novela são relacionamentos complicados geralmente entre pessoas que se amam e se odeiam ao mesmo tempo.

Vemos um fazer barbaridades com o outro e logo depois estão novamente conversando, interagindo, se encontrando em festas e acontecimentos familiares.

E, por acontecer na televisão, as pessoas acham que o mesmo deve ocorrer na vida real.

Discordo veementemente.

A vida já é dura por si. Trabalhar, pagar contas, pensar no futuro já é complicado e difícil para qualquer um. A gente não precisa de drama de novela no nosso dia a dia.

Na novela, os personagens são obrigados a conviver na trama. Mas na vida real, a gente não é obrigado a conviver com ninguém com quem a gente não queira.

A gente não é obrigado a se relacionar com quem nos fere, nos sacaneia, nos faz mal, nos trai, nos agride.

Em compensação, queremos conviver com quem nos ama, nos trata bem, se preocupa conosco e nos dá alegrias.

Assim, as relações humanas vão se fortalecendo conforme as pessoas se sentem bem interagindo, independente se são família, amigos ou colegas de trabalho. Por conseguinte as relações ruins vão se deteriorando mesmo que seja entre parentes, irmãos, pais e filhos.

Observo que, se baseamos em relações que nos fazem bem, não necessariamente é aquela que se iniciou por laços de sangue.

O mesmo vale para relações profissionais.

Eu contrato um profissional esperando que ele cumpra o que foi combinado visando o melhor para mim na sua especialidade. A gente não pode exercer todas as profissões, temos que indicar ao especialista o que não temos condições de resolver. E se o profissional lhe desaponta, não temos obrigação de continuar com ele.

Essa postura de se afastar de quem nos faz mal ou joga contra nós parece ser simples. Não existiriam novelas e dramas se todos agissem dessa forma.

Na prática é um pouco mais complicada porque exige que se tome uma atitude e se escolha um lado.

E do lado de quem você vai ficar?

Do seu, lógico. E também do lado de quem você ama, de quem te ama, de quem te ajuda, de quem se importa com você.

Afastar-se de quem prejudica ou prejudicou quem você ama é o que eu chamo de lealdade.

Não dá para ser amigo de todo mundo se são dois lados conflitantes.

Relevar que alguém faça mal a uma pessoa que você ame é exatamente não amar aquela pessoa. Pois amar é apoiar, é ficar do lado, é escolher o lado de quem você ama no matter what.

Mesmo que a pessoa em questão nunca tenha feito nada de ruim diretamente para você, o conceito de lealdade é isso mesmo: não fez para mim mas fez mal a quem eu amo.

E se sua lealdade para determinada pessoa está confusa, cabe reavaliar seus sentimentos para aquela pessoa.

Se você não ama, não consegue ser leal a ela, é melhor se afastar.

Para mim, não existe o cinza em relacionamentos.

Ou é branco ou é preto.

Nós não somos propriamente vizinhos.

A gente mora em cima do morro e eles lá do outro lado do rio, na baixada. Porém, entre nós apenas pastos.

Os pastores do vizinho acharam a nossa casa e começaram a comer a ração que ficava no pote da varanda, à noite.

Quem vinha era principalmente a pastora branca. Quem o Pepê perseguiu e espantou aqui de cima.

Fiquei fascinada com os pastores: a fêmea branca e dois machos pretos enormes. Tanto que fui indagar na cidade sobre eles.

Contaram que eram pastores do tal vizinho lá de baixo, do outro lado do rio e que eles eram muito maltratados. Passavam fome mesmo. Isso explicava o porque deles virem até aqui em cima a procura da ração da varanda.

Mas meus cachorros são pequenos e ótimos cães de guarda, enfrentando os bichos muito maiores que eles para defender o sítio. Assim, os pastores do vizinho vêm até a cerca do pasto ao lado e latem para os meus. Os meus respondem. E fica essa latição a madrugada toda impossibilitando meu sono.

Outra disputa é quem vai tocar as vacas do homem que aluga o pasto ao lado.

Pepê, Joom La e Liliana Jr adoram tocar vacas. É tipo o exercício diário deles. E os pastores adoram tocar vacas também. Daí, enquanto um grupo tocas as mesmas vacas para um lado, o outro grupo reclama latindo muito querendo tocar as vacas para o lado oposto.

Eu tenho p;ena dos pastores do vizinho porque são muito magros, maltratados e ficam pela cidade pedindo comida. Se eu pudesse, adoraria tê-los por aqui para tratá-los bem como merecem. Mas acho que isso não será possível. Estamos com a lotação esgotada de bichos.

Assim, pelo jeito, vão ficar os pastores do vizinho de um lado e os meus latindo de outro por tempo indefinido.

Boa noite!

Há muitos anos atrás, um livro fez muito sucesso.
A premissa dele era que todo mundo é incompetente.
Um sujeito começa a trabalhar numa firma e é muito bom no que faz. Então ele vai sendo promovido até um cargo no qual ele não é bom o suficiente. Ou seja, se torna incompetente para aquele cargo. E fatalmente estaciona nele, não sendo mais promovido.
Ultimamente tenho lembrado bem dessa idéia mas sendo aplicada na vida emocional.
Como a gente entra em roubadas emocionais sendo tão competente emocionalmente?
A resposta é simples.
A gente não conhece nosso limite de competência até ultrapassá-lo.
Então, determinadas situações e atitudes só vão se mostrar inadequadas para nós depois que a vivemos a primeira vez. Antes disso, a gente nem poderia imaginar o quão tal coisa nos faria mal sem antes experimentar.
Assim, eu entendo relacionamentos abusivos que começam como quem não quer nada, amizades que te sugam sem a gente se dar conta.
Mas eventualmente, a gente se toca e percebe nossa incompetência para lidar com a coisa/pessoa/situação.
E quando nos tocamos…. Opa!
Ou você aprende a lidar com o negócio, ou está fadado a ficar paralisado nessa situação. Como o cara da firma que chegou numa posição e se mantém incompetente para ela.
Eu estou falando de competência emocional para lidar com fatos e pessoas.
Tem gente que prefere ficar incompetente. Esses deveriam se restringir às situações
que dominam para se ferir menos e causar menos estragos por onde andam.
E, felizmente, tem aqueles que se superam.
Percebem e reconhecem a incompetência e trabalham ativamente para melhorar e não ser mais incompetentes. Eu admiro essas pessoas e desprezo aqueles que não querem melhorar.
E você? Já chegou no seu grau de incompetência?

Quando eu era criança eu adorava os contos de fadas com as princesas lindas, os príncipes garbosos e a indefectível bruxa que era a parte ruim da história e que fazia o impossível, com magia, para afastar a felicidade da princesa.

Toda menina queria ser uma princesa. Toda.

Até eu.

Por anos os meus sonhos foram moldados para ser a princesa da vida real. Achar o príncipe era fundamental.

Eu estava mais para Gata Borralheira porque meus pais não eram aqueles rei e rainha carinhosos e protetores.

Mas os sonhos de princesa estavam lá.

Eu tive meu dia de princesa vestida num longo branco, tiara e véu. O ápice do sonho da princesa e o final do conto de fadas porque daí eram felizes para sempre, sempre.

Eu juro que eu tentei ser a princesa, embora sonhos nada de contos de fadas enchiam minha cabeça. E eu ia atrás dos sonhos e tentava ser princesa.

Claro que não deu certo.

Uma coisa excluía a outra.

Hoje eu me assumo como A Bruxa.

Não aquela bruxa que faz bruxarias e maldades.

Eu sou a Bruxa do Maleus Maleficarum.

Aquela mulher que vive sozinha na floresta, cercada de natureza e bichos, curando os outros.

Aquela que não se encaixa nos padrões da sociedade da vilazinha local.

Aquela que as pessoas procuram apenas quando têm problemas que só uma bruxa curandeira pode resolver mas que depois é esquecida até o próximo problema.

Uma bruxa tipo Geni do Zepelin.

Bruxa Geni.

Hoje eu dormi muito bem como há muito tempo. E tive um sonho muito interessante que resumia minha vida. E no sonho, me comportei exatamente como fiz no decorrer dos anos: lutei, fui atrás dos meus sonhos verdadeiros (e não sonhos que me impunham) e acabei a Bruxa, sozinha incompreendida na floresta da vila.

Essa é a vida de bruxa.

Bruxa de verdade.

Não vou acabar esse texto com um clichê tipo “quem nasceu para bruxa, não chega a princesa”.

Vou dizer que eu tenho orgulho de ser Bruxa. Que se eu tivesse me assumido mais jovem teria sido feliz mais rápido.

Que a liberdade que eu tenho como bruxa me faz voar mais alto que com uma vassoura.

Que eu estou feliz. Estou em paz.

E estou exercendo minha totalidade.

Eu sou a Bruxa que as princesas queriam ser.

Quando estou em São Miguel do Gostoso, eu gosto de tomar café da manhã vendo o mar.
Eu procuro a mesa e a cadeira onde a visão é melhor, mesmo que seja por uma nesguinha no muro.
A moça do restaurante, a da limpeza, a da recepção, todas sabem que eu quero achar o mar pela manhã e riem.
Dependendo do sol eu mudo de mesa, ajeito a cadeira, troco xícaras e talheres e mudo o adoçante.
E isso, todo dia.
Todo dia a procura da melhor visão do mar.
Hoje havia barquinhos também e eu fiquei tão feliz!
Feliz a ponto de escrever pra vocês.
E não deu para não pensar na vida.
E não é que a vida é uma eterna busca pela melhor paisagem?
Tem coisas que eu não queria ter visto, como a morte de minha querida companheira Graça e que me faz chorar até hoje.
Mas essas coisas que a gente não quer aparecem do mesmo jeito. E apesar delas, eu ainda busco o melhor cantinho pra ver o sol, o mar e os barquinhos. E ser feliz.
Todos os dias.

Podemos

Podemos sorrir ou chorar,
Andar por lugares desconhecidos.
Com novas pessoas
Ter outros amigos.

Podemos pular e cantar,
Achar outra confidente
Uma amiga diferente
Alguém, que nos faça mais contente.

Podemos dar muitas risadas
Achar a vida engraçada,
Ter alguém a nosso lado
Fazer novas trapalhadas.

Podemos ser até mais felizes,
Seguir nossa vida, deixando
O passado pra trás.

Mas em algum momento,
Nossas vidas vão se reencontrar.

E nesta hora amiga,
Espero que fique a certeza,
Que era isso,
O que devíamos ter feito,
Que não havia outro jeito.

Porque, podemos rir ou chorar,
Ter outros amigos.
Achar a vida engraçada,
Ser até mais feliz.

Mas será que é possível,
Encontrar outro amigo?
Que sorria comigo,
Que enxugue meu pranto
Que ria da vida,
E me faça feliz?

Será que existe outro amigo?
Se já tivemos o amigo,
Que a gente sempre quis?

Iara Gonçalves